A morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, em São Paulo, traz à tona um capítulo pouco explorado da trajetória do renomado autor de novelas: sua atuação como jornalista esportivo e biógrafo do Rei do Futebol. Antes de consagrar-se na teledramaturgia, o escritor foi o responsável por Eu sou Pelé, obra lançada em 1961 que apresentou ao público um Edson Arantes do Nascimento vulnerável, marcado por medos, ambições e dilemas pessoais.
pele: cenário e impactos
O desafio de biografar o maior ícone do esporte
A produção do livro surgiu de uma demanda da editora Francisco Alves, que buscava registrar a ascensão meteórica do jovem atleta. Inicialmente relutante, Benedito Ruy Barbosa recordou, em entrevista ao portal ge, que o projeto só ganhou corpo após uma aproximação direta com Pelé. O convívio entre ambos, que incluiu viagens de trem e momentos de intimidade doméstica, permitiu que o autor captasse nuances que iam muito além dos gramados.
Entre a glória e a insegurança do jovem craque
A obra retrata um Pelé que, embora já fosse campeão mundial, lidava com as pressões típicas da juventude e a vigilância constante do pai, Dondinho. O livro expõe episódios de rebeldia, como a reação agressiva do jogador diante de críticas ao pai, e o receio genuíno de ser vaiado pela torcida, algo que ele observava ocorrer com colegas como Gilmar. Essas passagens humanizam o ídolo, mostrando que o sucesso internacional na Copa da Suécia não o blindava de sentimentos de dúvida.
Controvérsias e o reflexo de uma época
O texto original de 1961 também reflete o contexto cultural da década de 60, contendo passagens com abordagens preconceituosas que seriam inaceitáveis nos padrões atuais. O próprio Pelé, em reedições posteriores, reconheceu a evolução da sociedade em relação à diversidade. Além disso, o relato de Benedito Ruy Barbosa detalha a ingenuidade financeira do atleta, que foi vítima de golpes aplicados por pessoas de sua confiança, como o agente Pepe Gordo, evidenciando a fragilidade do jovem diante da exploração comercial.
O legado de uma parceria histórica
A relação entre o escritor e o jogador transcendeu o profissionalismo, transformando-se em uma amizade que permitiu o acesso a bastidores raros. Enquanto Benedito Ruy Barbosa construía sua carreira na televisão, o livro permanecia como um registro autêntico dos primeiros passos do Rei. A obra permanece como um documento histórico fundamental para compreender não apenas o atleta, mas o homem por trás da camisa 10, moldado pela disciplina de Dondinho e pela complexidade de uma fama repentina.
Fonte: ge.globo.com


































