A corrida pelo governo do Rio de Janeiro apresenta um cenário dinâmico, onde a força eleitoral do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) se mantém relevante, apesar de ter perdido a vantagem inicial que indicava uma possível vitória no primeiro turno. A sustentação de sua candidatura, conforme análise de especialistas, está intrinsecamente ligada à sua trajetória política consolidada, ao peso eleitoral da capital fluminense e ao alto reconhecimento de seu nome entre os eleitores.
Trajetória política e o peso da capital na força eleitoral de Paes
A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a principal característica de Eduardo Paes na disputa é sua capacidade de construir uma trajetória eleitoral independente. Ele não depende diretamente da polarização política nacional, tendo atuado como prefeito do Rio de 2009 a 2016, disputado o governo do estado, e retornado à prefeitura, sendo reeleito. Essa sequência de mandatos e candidaturas forjou uma base eleitoral própria.
A passagem de Paes pela Prefeitura do Rio ampliou significativamente sua base, garantindo um ponto de partida estratégico na disputa estadual. A capital, que concentra 40% dos votos do estado e é o segundo maior colégio eleitoral do país, é onde o ex-prefeito construiu sua maior identificação política. Essa ampla visibilidade na capital, aliada à experiência em disputas anteriores pelo governo, contribuiu para que seu nome fosse conhecido em diversas regiões, explicando sua posição de destaque inicial nas pesquisas.
Mudanças no cenário e avanço de Douglas Ruas nas pesquisas
O cenário eleitoral, contudo, não se mantém tão favorável a Paes quanto no início da corrida. A vantagem que o colocava em posição de possível vitória no primeiro turno diminuiu nos últimos meses. Dados de uma pesquisa Datafolha recente indicam que o ex-prefeito registrou 43% das intenções de voto, enquanto o deputado estadual Douglas Ruas (PL) alcançou 30%. A distância entre os dois, que era de 18 pontos, reduziu para 13.
Em uma simulação de segundo turno, Paes mantém 54% dos votos, mas a vantagem sobre Ruas, que subiu de 34% para 38%, caiu de 20 para 16 pontos. A especialista Mayra Goulart atribui o avanço de Ruas à gradual definição do eleitorado de direita em torno de seu candidato, que inicialmente tinha dificuldade em identificar um representante do campo bolsonarista. A estrutura política do PL no estado, com apoio em São Gonçalo, o segundo maior colégio eleitoral do Rio, e a presença do partido no Legislativo e nos municípios, também conferem a Ruas uma base territorial relevante. Para mais informações sobre pesquisas eleitorais, consulte o site do Datafolha.
A influência da candidatura de Anthony Garotinho e seu impacto jurídico
A candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) também alterou a dinâmica da disputa, conseguindo romper parcialmente a polarização e atrair uma parcela de eleitores. No entanto, sua situação na Justiça Eleitoral gera incerteza entre seus próprios apoiadores. Garotinho oscilou de 10% para 8% nas intenções de voto.
A candidatura do ex-governador foi indeferida por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) em 11 de setembro, devido à suspensão de seus direitos políticos por oito anos, decorrente de uma condenação definitiva por improbidade administrativa. O caso envolve desvio de recursos da Saúde durante a gestão de sua esposa, Rosinha Garotinho. A defesa de Garotinho contesta a decisão, alegando que o período de suspensão já foi cumprido. Enquanto não há uma decisão definitiva, Garotinho pode continuar concorrendo sub judice. Se a inelegibilidade for confirmada, os votos recebidos serão anulados, o que pode impactar diretamente o desfecho da eleição, potencialmente permitindo que Paes atinja o percentual necessário para vencer no primeiro turno.
Desafios do PL no Rio: investigações e crise política
Apesar do avanço de Douglas Ruas, o PL e seu campo político no Rio enfrentam uma profunda crise, conforme apontado pela cientista política Mayra Goulart. Inúmeras investigações envolvem integrantes, aliados e nomes ligados ao palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no estado, com evidências de associação de lideranças do partido com o crime organizado. Essa situação fragiliza a defesa de bandeiras como a segurança pública, uma das principais do partido.
A perda de mobilização da legenda foi exemplificada pela ausência de manifestações do PL no Rio no 7 de Setembro deste ano, contrastando com a grande mobilização de 2022 em Copacabana. O partido também foi alvo de apurações sobre lavagem de dinheiro, suspeitas envolvendo emendas parlamentares e possíveis relações entre políticos e organizações criminosas. O ex-governador Cláudio Castro (PL) desistiu da pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da Polícia Federal. Mais recentemente, investigações ligadas ao entorno de Flávio Bolsonaro revelaram conversas entre uma assessora do senador e Robson Calixto, condenado pelo assassinato de Marielle Franco, sobre a liberação de emendas com indícios de desvio de recursos. Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirmando que os repasses seguiram a lei e critérios técnicos.
Fonte: terra.com.br


































