O jornal Estadão iniciou, nesta terça-feira, 8, uma série de entrevistas com líderes de instituições financeiras para avaliar as perspectivas econômicas diante das eleições de 2026. Executivos de bancos de investimento, gestoras e plataformas financeiras apontam que a demanda de seus clientes corporativos serve como um termômetro preciso para medir a temperatura dos negócios no Brasil.
O consenso entre os entrevistados é a urgência de um ajuste fiscal rigoroso. Segundo os especialistas, a falta de alinhamento entre gastos públicos e arrecadação mantém a inflação pressionada, o que força a manutenção de taxas de juros elevadas. A Selic, principal ferramenta do Banco Central, é vista como um mecanismo necessário para conter preços, mas que, ao mesmo tempo, restringe o crédito, paralisa investimentos e limita o crescimento do país.
Impactos da política monetária e sufocamento empresarial
O cenário de juros altos tem gerado um efeito em cadeia preocupante para o setor produtivo. Daniel Wainstein, co-CEO do Banco Seneca, destaca que a economia não suporta mais o atual nível de juros reais. O executivo alerta que a persistência desse cenário pode levar ao desemprego em massa, tornando a situação social insustentável.
Empresas de diversos setores relatam dificuldades operacionais, com pedidos de recuperação judicial em grandes companhias afetando fornecedores menores. Há relatos de redução na produção devido à escassez de capital para manutenção de máquinas e equipamentos. Ricardo Lacerda, CEO do BR Partners, reforça que, sem uma redução sustentável dos juros, o Brasil corre o risco de enfrentar discussões sobre calote na dívida pública e a volta de fantasmas inflacionários.
Estratégias defensivas e volatilidade eleitoral
Diante da incerteza, gestoras têm adotado posturas táticas focadas em liquidez e segurança para proteger o patrimônio dos clientes. Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos, observa que o mercado opera com posições de curtíssimo prazo. Para ele, a volatilidade deve perdurar até que o cenário eleitoral esteja definido, independentemente de quem vença o pleito.
A crítica dos executivos estende-se à falta de planejamento de longo prazo nas campanhas eleitorais. Rodolfo Reichert, CEO da Genial Investimentos, argumenta que as propostas atuais focam apenas em medidas emergenciais. Para os especialistas, o país carece de um projeto estruturante que oriente o desenvolvimento econômico para além das disputas políticas imediatas.
Cenário político e expectativas para o futuro
Embora nenhum dos entrevistados tenha declarado apoio explícito a Lula ou ao deputado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), as análises variam entre o ceticismo e críticas diretas. Walter Maciel, CEO da AZ Quest, traz uma visão distinta ao sugerir que um ajuste fiscal bem-sucedido poderia ter um efeito popular semelhante ao do Plano Real, impulsionando o poder de compra e o investimento caso a taxa de juros retorne a patamares mais baixos, como 7%.
Apesar das críticas ao ambiente macroeconômico, muitos executivos reportaram crescimento em seus negócios durante o último governo. Eles atribuem esse desempenho a estratégias individuais de reposicionamento de mercado e à captura de fatias de clientes dos bancos tradicionais, em vez de um reflexo de expansão generalizada da economia nacional. Para mais informações sobre o cenário econômico, consulte o portal Estadão.
Fonte: terra.com.br


































