Uma longa disputa judicial envolvendo a propriedade de uma mansão em Angra dos Reis coloca em lados opostos o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O centro do conflito imobiliário reside em uma lacuna temporal de vinte e cinco anos na documentação do terreno, período que gera diferentes interpretações jurídicas e acusações cruzadas sobre a legitimidade da posse.
A controvérsia ganhou repercussão nacional devido à notoriedade dos envolvidos e à complexidade dos registros apresentados à Justiça do Rio de Janeiro. Enquanto a defesa busca consolidar os direitos adquiridos recentemente, o histórico documental expõe divergências profundas sobre quem realmente detinha o controle legítimo do local nas últimas décadas.
Linha do tempo e os registros apresentados por Richarlison
Os documentos trazidos pela defesa de Richarlison remontam ao ano de 2011, quando o imóvel foi negociado por Maurício Figueiredo para Celso de Souza Silva e Renato Pinto Cunha. Consta que o antigo proprietário tentava a regularização por meio de usucapião, embora sem confirmação oficial da União.
Posteriormente, o grupo empresarial ligado ao atleta adquiriu a propriedade e formalizou acordos de posse entre as partes interessadas. No entanto, o avanço dessa transação sofreu forte concorrência com a investida paralela de outros interessados na região turística fluminense.
O histórico documental apresentado por Willer Tomaz
Em contrapartida, Willer Tomaz apresentou uma linha sucessória iniciada em 1975, amparada por processos administrativos da Secretaria de Patrimônio da União. A sucessão de donos passou por nomes como Maria da Purificação e empresas turísticas até chegar à M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda.
A reviravolta jurídica ocorreu quando a SPU alterou o cadastro patrimonial para a empresa WT Administração de Imóveis e Bens S.A., controlada pelo advogado. A defesa do jogador argumenta que a manobra desconsiderou a suposta extinção e inaptidão da empresa anterior nos registros fiscais.
Impacto da visita política e o futuro do processo
A tensão aumentou quando Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz visitaram o local para fazer uma oferta de compra, justamente quando a regularização da transferência de posse para o grupo de Richarlison tramitava administrativamente. O negócio político e imobiliário acabou não se concretizando da forma esperada pelos investidores.
Enquanto a batalha jurídica continua nos tribunais fluminenses, o caso ilustra as complexidades da regularização de áreas litorâneas no país. A definição sobre a posse definitiva da mansão dependerá da validação dos órgãos federais competentes sobre os antigos registros apresentados por ambas as partes.
Fonte: uol.com.br


































