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Desempenho do Santos na Sul-americana: entre a falha defensiva e a força ofensiva

Desempenho do Santos na Sul-americana: entre a falha defensiva e a força ofensiva

O Santos garantiu sua vaga nas oitavas de final da Copa Sul-Americana ao superar a UCV por 4 a 2, em partida disputada na Vila Belmiro. Apesar da classificação já estar bem encaminhada desde o primeiro jogo, o time alvinegro demonstrou uma performance com altos e baixos, começando o confronto em desvantagem logo no minuto inicial. A virada só foi consolidada após intervenções táticas do técnico Cuca no intervalo, evidenciando a capacidade de reação ofensiva, mas também expondo fragilidades persistentes no sistema defensivo.

A partida serviu como um termômetro para a equipe, que, embora vitoriosa, revelou pontos que demandam atenção. A oscilação durante o jogo, com momentos de desatenção e outros de brilhantismo, levanta questões sobre a consistência do elenco em momentos cruciais da competição continental.

Defesa sob escrutínio: falhas individuais e coletivas persistem

O setor defensivo do Santos viveu uma noite de contrastes, marcada por um início complicado. Aos 18 segundos de jogo, uma falha de Adonis Frías ao tentar um recuo para Gabriel Brazão resultou diretamente no gol de Samuel Sosa para a UCV, forçando o Santos a reajustar seu plano de jogo de forma abrupta. Este erro individual foi crucial, mas não foi o único fator a expor as dificuldades da equipe na retaguarda.

Nos minutos que se seguiram, a defesa santista demorou a recuperar a confiança, permitindo que a UCV explorasse espaços que, teoricamente, não deveriam estar disponíveis contra um adversário de maior calibre técnico. Enquanto João Ananias teve uma atuação mais segura em comparação ao seu parceiro de zaga, e Escobar conseguiu controlar seu lado defensivamente, a instabilidade coletiva era perceptível.

A entrada de Lucas Veríssimo no intervalo trouxe uma dose de estabilidade à última linha, mas nem mesmo essa mudança impediu um novo vacilo em bola parada. Gonzalo Mottes apareceu livre para diminuir o placar no segundo tempo, ressaltando uma deficiência que tem sido observada no Santos ao longo da temporada: a dificuldade em manter a concentração e a organização defensiva, mesmo quando o controle da partida parece estabelecido.

Meio-campo em duas fases: a virada tática de Cuca

O desempenho do meio-campo santista foi notavelmente dividido em duas etapas distintas. No primeiro tempo, a dupla formada por Willian Arão e Christian Oliva enfrentou desafios para controlar o ritmo do jogo e acelerar a circulação da bola. Apesar de manter a posse, o Santos construía suas jogadas de forma lenta e previsível, o que facilitava a organização defensiva da UCV e impedia a criação de oportunidades claras.

A dinâmica do setor mudou drasticamente com a entrada de Gabriel Bontempo no segundo tempo. O jovem jogador injetou mais intensidade na equipe, promoveu uma maior aproximação entre os setores e passou a atacar os espaços com maior frequência, conferindo outra cara ao meio-campo. A presença de Neymar também foi fundamental para reorganizar a criação, atuando entre as linhas e oferecendo qualidade no passe, o que aproximou o ataque do processo de construção das jogadas.

Oliva, por sua vez, cresceu de produção na etapa final, beneficiado por um meio-campo mais estruturado e dinâmico. O uruguaio se destacou na marcação, sendo crucial na recuperação de bolas e na sustentação da pressão ofensiva do Santos durante boa parte do segundo tempo, demonstrando como as mudanças táticas impactaram positivamente o setor.

Ataque decisivo: gols garantem a classificação apesar dos percalços

Apesar de uma construção ofensiva que demorou a engrenar, o ataque do Santos demonstrou a qualidade necessária para decidir o confronto. Miguelito teve uma participação importante ao marcar o gol de empate ainda no primeiro tempo, um momento crucial para aliviar a pressão e o nervosismo que se instalavam na Vila Belmiro após o gol sofrido.

Após o intervalo e as mudanças táticas, a equipe passou a criar significativamente mais oportunidades. Barreal explorou os espaços pelo lado esquerdo do campo, tornando-se um dos jogadores mais ativos da partida, contribuindo para acelerar as jogadas e gerar chances. Rollheiser circulou com inteligência pelo setor ofensivo, distribuindo bons passes, especialmente na jogada que culminou no gol de Gabigol.

O camisa 9 viveu uma noite de contrastes, perdendo oportunidades claras e sendo flagrado em impedimentos em diversas ocasiões, o que poderia ter selado a vitória mais cedo. No entanto, Gabigol manteve-se participativo, marcou um gol, acertou o travessão na origem do terceiro gol e foi fundamental para manter a pressão constante sobre a defesa venezuelana. Gabriel Menino apareceu bem no apoio para ampliar o placar, e Rony, que entrou nos minutos finais, fechou a classificação com o quarto gol, aproveitando mais uma bem executada construção coletiva. A Copa Sul-Americana segue para o Santos com a expectativa de ajustes e a manutenção do poder de fogo.

Fonte: gazetaesportiva.com

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