A Prefeitura de São Paulo instaurou uma apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) para investigar possíveis falhas na fiscalização de um prédio em construção que desabou na madrugada do último sábado, 12, no bairro da Penha, zona leste da capital. O incidente, que ocorreu por volta das 2h, resultou na morte de cinco pessoas e deixou uma vítima ainda desaparecida sob os escombros.
A estrutura de 11 andares atingiu uma residência vizinha, onde viviam nove pessoas, incluindo uma família boliviana que operava uma oficina de costura no local. Equipes do Corpo de Bombeiros, que mobilizaram 59 agentes e 20 viaturas, seguem com os trabalhos de busca e salvamento, auxiliados por cães farejadores e pela Defesa Civil. Duas pessoas foram resgatadas com vida e encaminhadas ao Hospital Municipal do Tatuapé – Dr. Cármino Caricchio.
Histórico de irregularidades e a vistoria sob suspeita
A construção do edifício teve início em 2019 sem a devida documentação, tornando-se alvo de sucessivas autuações e multas pela Subprefeitura Penha, incluindo uma penalidade de R$ 119 mil. Embora uma liminar judicial de 2021 tenha determinado a paralisação imediata dos trabalhos, um novo projeto foi apresentado em 2022, resultando na concessão de um alvará em agosto de 2023, condicionado à demolição da estrutura prévia.
O ponto central da investigação da CGM recai sobre um laudo emitido em fevereiro de 2024, assinado por uma servidora da Subprefeitura Penha, que atestava a conclusão da demolição exigida. No entanto, análises preliminares da prefeitura, baseadas em imagens de satélite e relatos de moradores, indicam que a estrutura anterior não foi removida, o que levou ao afastamento da servidora por 30 dias para evitar interferências nas apurações.
Esferas de investigação e posicionamento da construtora
Além da apuração administrativa, a Polícia Civil, por meio do 24º Distrito Policial, trabalha para localizar os responsáveis pela obra e esclarecer as causas técnicas do desabamento. O prefeito Ricardo Nunes esteve no local e reiterou o histórico de irregularidades da construção, enquanto a Defesa Civil mantém a interdição de três residências situadas no mesmo terreno.
Em nota oficial, a New Home Construtora informou que iniciou uma investigação interna para apurar as causas do acidente. A empresa declarou que não há, até o momento, elementos que confirmem uma conduta negligente da companhia e sugeriu que a movimentação de terra em um terreno vizinho seja considerada como fator contribuinte. A construtora afirmou, ainda, que está prestando suporte às famílias afetadas e que aguarda a perícia técnica oficial, conforme reportado pelo portal Terra.
Fonte: terra.com.br


































