Um incidente ambiental grave chocou a província de San Juan, na Argentina, após um motorista ignorar restrições de acesso e entrar com uma caminhonete 4×4 na planície de Pampa del Leoncito. O local, uma área protegida situada a 1,5 mil metros de altitude, estava temporariamente interditado devido ao acúmulo de umidade e chuvas, que tornaram o solo argiloso extremamente vulnerável a danos permanentes.
O veículo percorreu cerca de 1,5 quilômetro antes de ficar atolado, deixando sulcos profundos que, segundo autoridades locais, podem levar até 100 anos para serem naturalmente revertidos. O episódio ocorreu na noite de sábado, 8 de agosto, e desencadeou uma série de ações judiciais contra o condutor, identificado como Agustin Añó, um médico de 46 anos.
Impacto ambiental e a fragilidade do Barreal Blanco
A Pampa del Leoncito, também conhecida como Barreal Blanco, é o leito de um antigo lago seco que se tornou um patrimônio natural de grande relevância. A região é mundialmente reconhecida por suas paisagens únicas aos pés da Cordilheira dos Andes e por oferecer condições ideais para a observação astronômica, atraindo turistas de diversas partes do globo.
O prefeito de Calingasta, Sebastián Carbajal, manifestou profunda indignação ao registrar em vídeo a extensão dos estragos. A autoridade classificou o ocorrido como um dano imensurável ao patrimônio natural da província. A área, composta por uma superfície esbranquiçada e delicada, exige preservação rigorosa para manter sua integridade geológica e estética.
Processo judicial e alegações da defesa
Após o incidente, o município de Calingasta iniciou uma ação judicial contra o motorista. Em depoimento prestado na terça-feira, 11 de agosto, o condutor alegou desconhecimento sobre as restrições de acesso, argumentando que a falta de sinalização e a escuridão da noite teriam contribuído para que ele entrasse na área protegida sem perceber as condições do terreno.
O juiz de Paz de Calingasta, Andrés Troche, responsável pela investigação, refutou as justificativas apresentadas. Segundo o magistrado, o motorista conhece a região e as condições climáticas da época, o que torna a entrada na planície uma conduta imprudente. O caso segue sob análise das autoridades competentes, que buscam definir as sanções cabíveis pelo dano causado.
Desafios para a remoção do veículo
Atualmente, a caminhonete permanece atolada no local, e o juiz determinou que o veículo não seja retirado de imediato. A decisão visa evitar que novas manobras causem danos ainda mais profundos à superfície argilosa, que apresenta um efeito de sucção quando úmida.
A Direção de Patrimônio foi acionada para avaliar a melhor estratégia de remoção, minimizando os impactos ambientais adicionais. Enquanto isso, o acesso à região permanece restrito ao público pelo menos até o fim de agosto, conforme reportado pelo portal Infobae, para permitir a recuperação e a análise técnica do solo afetado.
Fonte: terra.com.br

































