A dramaturgia brasileira frequentemente explora o arquétipo da mocinha que, após ser injustiçada por figuras poderosas, renasce em busca de justiça. Esse é o ponto de convergência entre as trajetórias de Adriana, em Quem Ama Cuida, e Clara, protagonista de O Outro Lado do Paraíso. Ambas as personagens, concebidas sob a influência criativa de Walcyr Carrasco, compartilham origens humildes, uma forte ligação emocional com seus avôs — Otoniel e Josafá, respectivamente — e a perseguição implacável de vilãs narcisistas, como Pilar e Sophia.
Estratégias narrativas e o impacto da transformação visual
O grande trunfo de O Outro Lado do Paraíso, exibida entre 2017 e 2018, foi a construção de uma virada psicológica e estética marcante para sua protagonista. Clara deixou de ser a jovem ingênua para se tornar uma mulher sofisticada e estrategista, capaz de enfrentar seus algozes de igual para igual. O retorno da personagem, marcado pela icônica frase sobre o prazer de estar de volta, consolidou-se como um momento memorável da teledramaturgia nacional.
Em contrapartida, Adriana apresenta uma trajetória pautada pelo realismo. Sem a transformação visual drástica de sua antecessora, a personagem aposta na inteligência e no planejamento meticuloso para desestabilizar seus inimigos. Embora essa abordagem seja coerente, a passionalidade demonstrada por Clara em seu arco de vingança gerou um engajamento superior junto ao público, tornando-se uma referência de sucesso no gênero.
Ritmo da trama e a resposta do público
A análise do desempenho das duas produções revela diferenças importantes no ritmo narrativo. Enquanto Clara iniciou sua fase de justiceira no capítulo 45, o desenvolvimento de Adriana em Quem Ama Cuida tem sido mais cadenciado. Com cerca de 30% dos 210 capítulos previstos já exibidos, a novela ainda busca o ápice de sua empolgação, mantendo uma média de 22,3 pontos de audiência, conforme dados da TV Globo.
A expectativa agora recai sobre o capítulo 100, previsto para setembro, momento em que a trama deve promover uma reviravolta significativa. Espera-se que a ascensão da protagonista, que deverá conquistar riqueza e poder, funcione como o combustível necessário para acelerar o passo da narrativa e elevar a temperatura da disputa pela audiência, em um cenário onde comparações entre heroínas servem como termômetro para o comportamento do telespectador atual.
Fonte: terra.com.br


































