A recente implementação da chamada “MP das Bets”, conduzida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impõe uma transformação significativa no modelo de financiamento dos clubes da primeira divisão do futebol brasileiro. Com o objetivo de regulamentar e restringir a presença das casas de apostas online, a medida gera impactos financeiros diretos, especialmente para as agremiações que dependem desses aportes para compor seus orçamentos anuais.
Embora 14 dos 20 times da elite nacional possuam atualmente contratos de patrocínio máster vinculados a empresas de apostas, um grupo seleto de seis clubes encontra-se em uma posição distinta. Por não possuírem acordos dessa natureza em vigor no momento da assinatura da medida, essas instituições estão, a princípio, protegidas de perdas imediatas de receita provenientes da proibição das marcas em seus uniformes.
Clubes que seguem sem exposição de apostas
Entre os times que não serão afetados pela nova regulamentação estão Internacional, Bahia, Athletico-PR, Coritiba, Mirassol e Bragantino. Destes, o Mirassol e o Bragantino destacam-se por uma trajetória singular no cenário nacional: ambos nunca estamparam marcas de apostas como patrocinadores máster em suas camisas. O Mirassol, por exemplo, mantém uma parceria de quase 20 anos com a marca de refrigerantes Poty, consolidando uma estratégia de marketing esportivo que prioriza parceiros tradicionais do setor de bebidas.
Vale ressaltar que, embora não possuam o patrocínio máster, alguns desses clubes chegaram a exibir marcas de apostas em espaços secundários, como mangas e calções, ou em ações promocionais pontuais. Contudo, esses contratos foram rescindidos antes da atual temporada, alinhando as equipes ao novo cenário de conformidade exigido pelas autoridades federais.
Transição e encerramento de contratos
A situação de clubes como Internacional, Bahia, Athletico-PR e Coritiba reflete um movimento de transição. Essas equipes possuíam acordos com empresas como Viva Sorte Bet e Reals, que foram encerrados ao longo de 2025 e início de 2026. O Internacional, após o fim do vínculo com a empresa Alfa em janeiro de 2026, optou por diversificar suas receitas, recorrendo a patrocínios pontuais em diferentes setores, como o de pneus.
O caso do Grêmio ilustra a volatilidade do mercado, tendo fechado com a casa de apostas Pitaco apenas dois dias antes da assinatura da medida governamental. A pressa de algumas instituições em garantir receitas antes das restrições evidencia a dependência financeira que o setor de apostas criou no futebol brasileiro nos últimos anos.
Impactos da regulação governamental
O governo federal planeja enviar ao Congresso um Projeto de Lei em regime de urgência para endurecer as punições contra empresas que insistirem na promoção de apostas online fora das novas normas. O cronograma estabelecido pelo Ministério da Fazenda, sob orientação de Dario Durigan, é rigoroso: sites e aplicativos devem encerrar suas operações no país até o dia 6 de outubro.
Para os torcedores e usuários das plataformas, o prazo para a retirada voluntária de saldos termina às 23h59 do dia 28 de outubro. Caso os valores não sejam resgatados, os bancos operadores do sistema financeiro serão acionados para realizar a devolução dos montantes. Para mais detalhes sobre a legislação, consulte o portal oficial do Ministério da Fazenda.
Fonte: uol.com.br

































