O cenário político do Corinthians ganha um novo capítulo com a oficialização da candidatura de Sérgio Janikian à presidência do clube. Em sua primeira entrevista pública, concedida ao portal Meu Timão, o postulante buscou se apresentar como uma figura ilibada, mas suas declarações e histórico pessoal rapidamente se tornaram alvo de escrutínio por parte de analistas e torcedores.
A entrada de novos nomes na disputa eleitoral alvinegra é vista com cautela. O debate sobre o que constitui um candidato apto a gerir uma instituição do tamanho do Corinthians reacende discussões sobre a necessidade de critérios que vão além da ausência de condenações judiciais, exigindo competência técnica e visão estratégica para enfrentar a crise financeira que assola o Parque São Jorge.
Descompasso com o modelo de gestão e SAFs
Durante a entrevista, Janikian demonstrou o que críticos classificam como um desconhecimento sobre as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Ao comentar o modelo, o candidato citou a gestão do Bahia como um exemplo negativo, ignorando o sucesso do projeto sob o comando do Grupo City. Essa avaliação gerou estranheza, dado que o mercado enxerga a transição para o modelo de SAF como uma alternativa viável para clubes endividados.
O candidato também defendeu a manutenção do modelo associativo tradicional. Contudo, essa posição é confrontada pela realidade atual do clube, que acumula uma dívida estimada em três bilhões de reais. A insistência no formato atual, sem propostas claras de profissionalização ou modernização administrativa, reforça a percepção de que a candidatura representa a continuidade de práticas que levaram o clube ao cenário financeiro crítico atual.
Histórico empresarial e controvérsias judiciais
O passado de Sérgio Janikian no setor privado também trouxe à tona episódios que geram debates sobre sua trajetória. Documentos apontam que uma empresa de sua titularidade, a Mercosul Comércio e Indústria, sediada em Blumenau, esteve envolvida em denúncias de sonegação de impostos a partir de 2008. O caso resultou em Janikian figurando como réu por formação de quadrilha.
A situação jurídica do candidato teve desdobramentos significativos na Justiça Federal da 4ª Região, que chegou a decretar a indisponibilidade de seus bens em 2014, incluindo um imóvel em São Paulo. Embora a restrição tenha sido cancelada apenas em março de 2021, o episódio permanece como um ponto de questionamento sobre a idoneidade necessária para o cargo de presidente.
Conexões políticas e falta de diretrizes claras
Além das questões tributárias, o histórico de Janikian inclui associações empresariais que despertam atenção. Entre 1988 e 1996, ele foi sócio da Ghojan Construtora, em Guarulhos, ao lado de Hanna Garib. Este último tornou-se uma figura notória em São Paulo devido ao seu envolvimento na chamada Máfia dos Fiscais, tendo sido cassado pela Assembleia Legislativa paulista em 1999 e condenado a 20 anos de prisão em 2007.
Ao ser questionado sobre seus planos, Janikian não apresentou nomes de sua equipe de transição ou propostas concretas de profissionalização. A ausência de um plano de gestão detalhado, somada à declaração de apoio a André Negão, leva observadores a classificarem a candidatura como “mais do mesmo”, reforçando a desconfiança de que a proposta não trará a ruptura necessária para o futuro do Corinthians.
Fonte: uol.com.br

































