A permanência de Memphis Depay no Corinthians foi sacramentada após uma intensa articulação nos bastidores, que envolveu desde apresentações técnicas detalhadas até um encontro direto entre o atacante e o presidente do clube, Osmar Stabile. O desfecho positivo, que garante a continuidade do atleta, foi viabilizado por uma reestruturação contratual conduzida pelo gerente financeiro André Lavieri, peça-chave para contornar impasses internos.
A estratégia financeira e as concessões do atleta
O sucesso da negociação baseou-se em uma apresentação técnica conduzida por Lavieri perante o Conselho de Orientação (Cori). O objetivo era demonstrar que a manutenção do jogador, sob novos termos, seria financeiramente vantajosa para o clube. Com a repactuação, Memphis abriu mão de encargos, juros e correção monetária, fixando a dívida em R$ 42 milhões, valor a ser pago em quatro parcelas entre fevereiro de 2027 e julho de 2028.
Além disso, o atacante aceitou reduzir pela metade o montante destinado a ações de marketing, que caiu de R$ 15,4 milhões para R$ 7,7 milhões. Somadas a outras desistências, como a ajuda de custo de R$ 6 milhões, as concessões do jogador totalizaram cerca de R$ 20 milhões. Essa reestruturação foi apresentada como um movimento estratégico para auxiliar o clube a cumprir as normas de fair play financeiro estabelecidas pela CBF.
O voto de minerva e a decisão do conselho
A reunião do Cori refletiu a divisão interna sobre o tema, terminando com um empate de seis votos favoráveis e seis contrários. A definição coube ao presidente do órgão, Miguel Marques e Silva, que proferiu o voto de minerva favorável à permanência do holandês. Relatos indicam que a explanação de Lavieri foi determinante para convencer os conselheiros presentes no Parque São Jorge, enquanto a maior resistência partiu dos participantes remotos.
O presidente Osmar Stabile, que já estava convicto da necessidade da renovação, utilizou a consulta ao Cori como um respaldo para sua decisão. A estratégia de Stabile, alinhada com as recomendações de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, visava garantir segurança jurídica e política para o fechamento do acordo.
Encontro decisivo e força-tarefa jurídica
Um ponto de inflexão nas tratativas foi a reunião realizada na última quarta-feira, na residência de uma pessoa próxima a ambas as partes. Foi o primeiro contato presencial entre Stabile e Memphis, que serviu para aparar arestas após o desgaste gerado pelo comunicado oficial do clube, que na terça-feira anterior havia anunciado a desistência das negociações.
Após a confirmação do aval do Cori, o departamento jurídico do Corinthians iniciou uma força-tarefa durante a madrugada para redigir e registrar os termos do novo contrato. O esforço teve como foco principal a regularização do atleta para a partida de volta das oitavas de final da Libertadores contra o Rosario Central, na Neo Química Arena.
Fonte: uol.com.br


































