A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de ampliar a suspensão do técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, de dois para três jogos, provocou reações imediatas no cenário esportivo. O treinador, que havia sido punido inicialmente por chutar um microfone durante a partida contra o Mirassol, viu sua pena ser majorada durante o julgamento do recurso no pleno do tribunal.
Impacto da decisão e estranheza no meio esportivo
O comentarista Paulo Vinícius Coelho, em análise para o portal UOL, pontuou que, embora a condenação fosse esperada devido à natureza do ato, o agravamento da punição em segunda instância causou estranheza. Segundo o jornalista, o fato de o tribunal elevar o tempo de afastamento após o efeito suspensivo não é inédito, mas levanta questionamentos sobre a consistência dos critérios adotados pelos magistrados.
Com a sentença definida, o comandante palmeirense desfalcará a equipe em confrontos decisivos, incluindo o clássico contra o São Paulo e os duelos diante de Grêmio e Bahia. A ausência do treinador em partidas pós-data Fifa passou a ser a principal preocupação do clube, que já trabalhava com a possibilidade de um gancho inicial.
Reação interna e questionamentos sobre isonomia
Nos bastidores do Palmeiras, a decisão do STJD foi recebida com forte descontentamento. O repórter Flávio Latif reportou que a diretoria alviverde classificou a medida como desproporcional, alegando que o tribunal não teria mantido a isonomia necessária ao comparar o caso de Abel Ferreira com outras situações julgadas recentemente pela corte.
Internamente, o clube mantém diálogos constantes com o técnico para mitigar episódios de indisciplina. A gestão busca evitar que a imagem pública do treinador seja associada a uma conduta descontrolada, embora o incômodo com o rigor excessivo do tribunal em relação a Abel, quando comparado a outros profissionais da elite do futebol brasileiro, seja um ponto de tensão recorrente.
O peso do histórico disciplinar no julgamento
Por outro lado, o comentarista Eudes Junior defendeu a legitimidade da ampliação da pena. Em sua visão, o histórico de reincidência de Abel Ferreira no Campeonato Brasileiro é um fator que não pode ser ignorado pelo tribunal. Com 12 denúncias registradas no STJD, o comportamento do técnico é visto como um elemento agravante que justifica o rigor na dosimetria da punição.
Apesar de validar a decisão do pleno, Eudes ressaltou que o tribunal deve manter o mesmo padrão de exigência para todos os treinadores do país. O debate permanece aberto sobre onde termina a análise técnica da conduta e onde começa a influência da imagem pública do profissional nas decisões da justiça desportiva.
Fonte: uol.com.br

































