A trajetória da Argentina na Copa do Mundo de 2026, consolidada após uma virada histórica sobre a Inglaterra na semifinal, reacendeu debates profundos sobre o futuro do futebol sul-americano. Para o jornalista Juca Kfouri, o sucesso argentino, que flerta com um possível bicampeonato consecutivo e a mira no pentacampeonato em 2030, atua como um catalisador necessário para questionar a gestão da CBF.
O impacto do sucesso argentino na estrutura do futebol brasileiro
A possibilidade de a Argentina igualar feitos históricos do futebol moderno, como o bicampeonato brasileiro de 1958 e 1962, coloca o Brasil em uma posição de reflexão obrigatória. Segundo uma análise citada por Juca Kfouri, escrita pelo diplomata Eduardo Brigidi, a hegemonia argentina pode ser o empurrão que falta para que o cenário administrativo do futebol brasileiro passe por transformações profundas.
A lógica apresentada sugere que, caso a Argentina alcance o tetracampeonato e mantenha o fôlego para buscar o penta em 2030, a pressão externa e interna sobre a CBF se tornará insustentável. A comparação com o modelo de gestão e a performance esportiva dos vizinhos serviria como um espelho crítico para as entidades brasileiras.
Análise tática e o papel de Lionel Messi
Além das implicações políticas, o desempenho em campo foi amplamente elogiado pelos especialistas. Casagrande destacou a inteligência de Lionel Messi, que soube se posicionar fora do centro para explorar as laterais, desestabilizando a defesa comandada por Thomas Tuchel. Essa movimentação estratégica foi fundamental para descongestionar a área e permitir que a Argentina dominasse o jogo.
José Trajano observou uma mudança de postura da equipe argentina, que superou a fase da “sofrência” vista em partidas anteriores. O time demonstrou uma execução coletiva superior, transformando o confronto contra os ingleses em uma exibição de técnica e controle, afastando a necessidade de vitórias dramáticas nos minutos finais.
Legado histórico e a memória do futebol
O debate também revisitou o passado, com Juca Kfouri mencionando a visão de seu pai sobre o potencial argentino em décadas anteriores. A crença de que a seleção argentina teria conquistado as Copas de 1942 e 1946, caso não tivessem sido canceladas pela Segunda Guerra Mundial, reforça a percepção de que o peso histórico do futebol argentino é, muitas vezes, subestimado.
Essa perspectiva histórica serve para contextualizar o momento atual, onde o talento individual de Messi se une a um planejamento tático sólido sob o comando de Lionel Scaloni. O resultado é uma seleção que não apenas vence, mas que impõe um padrão de jogo capaz de desafiar as potências europeias e forçar uma revisão de valores em todo o continente.
Fonte: uol.com.br


































