O futebol brasileiro guarda em sua história capítulos de genialidade que transcendem gerações. Entre esses ícones, Ademir Menezes, carinhosamente apelidado de Queixada, ocupa um lugar de honra. Reconhecido como o maior artilheiro do Brasil em uma única edição de Copa do Mundo, com 9 gols marcados no Mundial de 1950, o atacante transformou a arte de balançar as redes em uma marca registrada de sua trajetória.
A importância de Ademir não se resume apenas aos números expressivos com a camisa da Seleção. Ídolo incontestável do Vasco, ele foi o protagonista de uma era dourada, acumulando 301 gols em 429 jogos pelo clube carioca. Sua habilidade técnica e faro de gol aguçado moldaram o sucesso do lendário Expresso da Vitória, consolidando o atacante como um dos maiores jogadores da história do futebol nacional.
A noite histórica de Ademir Menezes no Maracanã
No dia 9 de julho de 1950, o Brasil protagonizou uma de suas atuações mais memoráveis ao vencer a Suécia por 7 a 1. Ademir foi o nome da partida, anotando quatro gols em uma exibição de gala que permanece como a maior goleada brasileira em Copas do Mundo. O feito teve um sabor especial para o torcedor vascaíno, já que todos os gols daquele confronto foram marcados por atletas do clube, incluindo Chico e Maneca.
Ascensão e consagração no Expresso da Vitória
Revelado pelo Sport em 1939, o talento de Ademir logo chamou a atenção do cenário nacional. Após uma atuação implacável contra o Vasco em 1942, onde marcou três vezes, o atacante foi contratado pela equipe de São Januário. Em duas passagens distintas, entre 1942 e 1945 e de 1948 a 1956, ele conquistou 15 títulos, sendo peça fundamental na hegemonia vascaína da época.
- Sul-Americano de Campeões (1948)
- Campeonato Carioca (1945, 1949, 1950 e 1952)
- Torneio Octogonal Rivadávia (1953)
- Torneios Municipais (1944 e 1945)
O domínio nos clássicos e a visão de jogo
Ademir não apenas marcava gols, mas redefinia a função de ponta de lança, forçando adversários a adaptarem seus esquemas táticos. Em 111 clássicos contra Botafogo, Flamengo e Fluminense, o jogador participou diretamente de 96 gols, demonstrando uma eficiência impressionante. Para o craque, a tensão de um clássico carioca era única, superando até mesmo a atmosfera de uma final de Copa do Mundo.
A despedida dos gramados e o reconhecimento
Em 1957, aos 34 anos, Ademir decidiu encerrar sua carreira após uma lesão no pé, retornando ao Sport para sua última temporada. Como bem definiu o cronista Armando Nogueira, o futebol perdeu um de seus maiores artistas, mas o legado de Queixada permanece vivo na memória dos torcedores. Sua trajetória é um testemunho da dedicação e do talento que elevaram o patamar do futebol brasileiro no século XX.
Fonte: netvasco.com.br
