O técnico Jorge Jesus, atualmente à frente da seleção de Portugal, manifestou forte discordância em relação à recente decisão dos clubes brasileiros de reduzir o limite de atletas estrangeiros nas competições nacionais. O treinador, que marcou época no Flamengo entre 2019 e 2020, argumentou que a restrição de jogadores de fora não é o caminho para elevar o nível técnico do futebol no país.
Durante entrevista coletiva realizada neste sábado, véspera da partida entre Portugal e Noruega pela Liga das Nações, o português enfatizou que a qualidade do esporte depende de fatores estruturais mais profundos. Para o comandante, a solução para o desenvolvimento do futebol local não passa pela limitação de elencos, mas sim por uma reestruturação do sistema de ensino esportivo.
A crítica à formação e ao calendário nacional
Ao analisar o cenário atual, Jorge Jesus foi enfático ao apontar que o problema central reside na base. Segundo o treinador, a qualidade da formação de atletas e a organização do calendário de partidas são os verdadeiros gargalos que impedem um salto de patamar do futebol brasileiro no cenário global.
O técnico utilizou o exemplo de seu país natal para ilustrar o argumento. Ele destacou que Portugal é um dos maiores exportadores de talentos da Europa e que, por lá, não existem barreiras para a escalação de atletas internacionais, o que permite que o treinador tenha liberdade total para montar sua equipe com até 11 estrangeiros, se assim desejar.
Defesa da manutenção dos campeonatos estaduais
Outro ponto abordado pelo treinador foi a importância dos torneios regionais. Contrariando vozes que pedem o fim dessas competições, Jesus defendeu que os campeonatos estaduais funcionam como uma fonte de crescimento para jogador que surge no Brasil, sendo essenciais para a maturação de novos talentos antes de chegarem ao nível nacional.
Ele ressaltou que o país possui uma estrutura de calendário que, se bem aproveitada, pode ser um diferencial competitivo. O alerta do treinador serve como uma reflexão sobre a necessidade de preservar as raízes do futebol nacional enquanto se busca modernização.
O impacto da nova regra da CBF
A decisão de limitar a presença de estrangeiros foi aprovada por maioria pelos clubes das Séries A e B. O plano da CBF estabelece uma transição gradual, reduzindo o limite atual de nove atletas por partida para oito a partir de 2027, com a meta de chegar a cinco jogadores estrangeiros por equipe até o ano de 2030.
A justificativa apresentada pelos clubes para a medida é a necessidade de abrir mais espaço para os atletas revelados nas categorias de base. Enquanto a entidade busca proteger o mercado interno, a visão de Jorge Jesus traz um contraponto sobre a eficácia dessa estratégia para o desenvolvimento técnico a longo prazo.
Fonte: uol.com.br

































