O presidente da LaLiga, Javier Tebas, manifestou publicamente seu descontentamento com a postura adotada por Vinícius Júnior, Kylian Mbappé e Ibrahima Konaté durante uma ação institucional realizada na última terça-feira (16). Os atletas, que atuam pelo Real Madrid, foram alvo de críticas após utilizarem de forma inadequada uma camiseta que expressava apoio à cidade de Ceuta, enclave espanhol situado no norte da África que enfrenta uma grave crise migratória.
A iniciativa, que buscava solidarizar-se com a população local por meio do slogan “Todos somos caballas”, foi autorizada pela organização do Campeonato Espanhol. No entanto, durante o protocolo pré-jogo contra o Elche, os jogadores optaram por dobrar a peça na altura do peito, impedindo a visualização completa da mensagem de apoio. O gesto gerou repercussão imediata nos bastidores da liga espanhola.
A divergência sobre o protocolo institucional
Para Javier Tebas, o episódio transcende a esfera das escolhas individuais dos jogadores. O dirigente enfatizou que a utilização do uniforme em atos organizados pela competição possui um caráter institucional e não deve ser interpretada como um espaço para manifestações de opiniões pessoais dos atletas. Em declarações à imprensa, o presidente da LaLiga classificou a atitude como “má” e reforçou a importância de seguir as diretrizes estabelecidas para eventos oficiais.
O dirigente negou veementemente que a campanha, idealizada por uma associação de empresários da região de Valência, possuísse qualquer viés de reivindicação política. Segundo LaLiga, o objetivo central era prestar solidariedade a uma região que atravessa um momento de instabilidade social e econômica, sem que isso configurasse um posicionamento ideológico da entidade ou dos clubes participantes.
Contexto da crise migratória em Ceuta
A região de Ceuta tornou-se o epicentro de uma crise humanitária entre os dias 30 e 31 de julho, quando registrou a entrada massiva de dezenas de milhares de imigrantes vindos do Marrocos. Embora grande parte do contingente tenha retornado ao país de origem, milhares de pessoas permaneceram no território, sobrecarregando a infraestrutura local e gerando um cenário de crescente tensão.
A situação tem provocado manifestações quase diárias por parte dos moradores, que exigem das autoridades o retorno à normalidade. A iniciativa das camisetas buscava dar visibilidade a esse drama social, sendo que a partida do Real Madrid foi a terceira a integrar a ação. Anteriormente, o Levante, o Barcelona, o Villarreal e o Betis já haviam participado da mobilização com diferentes níveis de adesão ao protocolo estabelecido.
Fonte: uol.com.br


































