O Fluminense viveu momentos de tensão em solo argentino ao enfrentar o Platense pela Libertadores. Apesar de carregar uma vantagem confortável de dois gols construída no jogo de ida, a equipe carioca foi testada ao limite pela intensidade do adversário. O confronto serviu como um alerta importante sobre a necessidade de equilibrar o talento técnico com a entrega física exigida em competições continentais de alto nível.
No primeiro tempo, o cenário foi de amplo domínio dos donos da casa, que sufocaram o Tricolor com uma marcação alta e jogo vertical. Com mais de 60% de posse de bola e dez finalizações, o Platense expôs as dificuldades de uma formação brasileira que se mostrou pouco competitiva para o clima hostil de Buenos Aires. A passividade defensiva quase custou a classificação que parecia encaminhada.
Domínio argentino e fragilidade defensiva no primeiro tempo
A escalação inicial do Fluminense apresentou dificuldades claras de recomposição defensiva. Jogadores como Soteldo, Hulk e Ganso encontraram barreiras para conter o ritmo intenso imposto pelo Platense, resultando em espaços perigosos no setor de meio-campo. A falta de combatividade permitiu que o adversário controlasse as ações e ditasse o ritmo da partida desde os minutos iniciais.
A lateral esquerda tornou-se o caminho preferencial do ataque argentino, onde Mainero levou vantagem constante nos duelos individuais. Os dois gols do Platense surgiram justamente por aquele setor: o primeiro após uma triangulação rápida que desestruturou a zaga e o segundo em um cruzamento preciso para a finalização de cabeça de Sepúlveda, inflamando a torcida local.
Ajustes táticos e o papel decisivo de Hulk na Libertadores
O intervalo foi fundamental para a reorganização da equipe comandada pelo técnico tricolor. No segundo tempo, o Fluminense conseguiu ajustar a marcação no lado esquerdo e passou a controlar melhor as investidas adversárias, aproveitando também o desgaste físico natural do time argentino após o esforço hercúleo da etapa inicial.
Com a defesa mais sólida, a bola começou a chegar com qualidade ao ataque, permitindo que Hulk exercesse seu papel de protagonista. Em uma jogada de transição rápida e contra-ataque perfeito, o atacante serviu Canobbio, que demonstrou frieza ao driblar o marcador e descontar o placar. O gol foi um balde de água fria nas pretensões do Platense e garantiu o respiro necessário para a equipe brasileira.
Lições de competitividade para a sequência do torneio
Apesar da pressão final exercida pelo Platense, que buscou o gol de empate até os acréscimos, o Fluminense demonstrou maturidade para resistir e assegurar a vaga na semifinal. A partida deixou claro que a superioridade técnica, isoladamente, não garante sucesso na CONMEBOL Libertadores, exigindo um nível de entrega e competitividade constante durante os 90 minutos.
O roteiro do jogo assemelhou-se a outros confrontos recentes entre brasileiros e equipes sul-americanas, reforçando a tese de que o torneio pune severamente a passividade. Para o Fluminense, o susto na Argentina serve como o combustível necessário para as fases decisivas, onde a margem de erro é inexistente e o espírito de luta deve estar alinhado à qualidade técnica do elenco.
Fonte: uol.com.br

































