O confronto entre Cascavel e Grêmio, válido pela primeira rodada da Copa Sul, foi marcado por um protesto inusitado nas arquibancadas do Estádio Olímpico Regional. Durante as partidas das categorias sub-17 e sub-20, o time paranaense exibiu uma faixa com os dizeres “Caloteiro, pague o Cascavel”, acompanhada pelo escudo do clube gaúcho. A manifestação pública expõe o agravamento de uma disputa financeira que se arrasta nos bastidores do futebol brasileiro.
Origem da disputa envolvendo a transferência de Bitello
A tensão entre as agremiações tem como pivô a negociação do meia Bitello, vendido ao Dínamo Moscou, da Rússia, em setembro de 2023. O atleta, revelado pelo Cascavel, foi transferido por 10 milhões de euros, montante equivalente a cerca de R$ 52 milhões na época da transação. Como clube formador, a equipe paranaense reivindica o direito a 30% do valor total da operação.
O Cascavel alega que recebeu apenas R$ 10,6 milhões após acionar a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão vinculado à CBF. O clube paranaense sustenta que, somando juros e correções monetárias, o Grêmio ainda possui um débito pendente de aproximadamente R$ 8 milhões.
Plano de pagamento e impasse jurídico
Em agosto, o Grêmio apresentou à CNRD um plano para quitar dívidas acumuladas com diversos credores, totalizando R$ 16 milhões a serem pagos em um prazo de 60 meses. No documento protocolado, o valor reconhecido como devido ao Cascavel é de R$ 6.842.122,97. A proposta, contudo, não foi suficiente para apaziguar os ânimos da diretoria paranaense.
Valdinei Silva, presidente do Cascavel, manifestou publicamente sua insatisfação com a postura do clube gaúcho. Em entrevista ao portal UmDois Esportes, o dirigente afirmou que o Grêmio tem protelado o cumprimento das obrigações financeiras. O clube paranaense busca agora embargar premiações da Copa do Brasil destinadas ao Tricolor para garantir o recebimento dos valores que considera devidos.
Consequências para o cenário do futebol nacional
O dirigente do Cascavel não poupou críticas à gestão financeira do adversário, classificando a conduta do Grêmio como um “desserviço ao futebol brasileiro”. Segundo Silva, a prática de manter dívidas pendentes enquanto o clube segue realizando contratações de novos atletas é um contrassenso que prejudica a integridade das competições.
Enquanto o imbróglio jurídico segue em análise nas esferas competentes, o Grêmio mantém o foco em suas atividades esportivas. Dentro de campo, o confronto da Copa Sul terminou com um empate de 2 a 2 no sub-17 e uma vitória do Tricolor por 2 a 1 na categoria sub-20, mantendo a rivalidade aquecida tanto nas quatro linhas quanto nos tribunais.
Fonte: uol.com.br


































