A Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro (DDEF) instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades no processo de recuperação judicial do Vasco da Gama. O foco central da investigação policial é a inclusão de um crédito trabalhista do ex-jogador Max, que teria sofrido uma alteração significativa de valor durante a tramitação do caso, levantando suspeitas sobre a legalidade dos procedimentos adotados.
A apuração teve início em maio, motivada por uma denúncia anônima enviada ao Ministério Público. O ponto de maior atenção das autoridades é a discrepância entre o montante discutido originalmente na Justiça do Trabalho, estimado em cerca de R$ 2,5 milhões, e o valor final registrado no plano de recuperação judicial, que atingiu aproximadamente R$ 8 milhões. A polícia busca compreender os critérios técnicos e a fundamentação jurídica que permitiram essa elevação expressiva do débito.
Contexto político e a apuração da Delegacia de Defraudações
O caso ganhou contornos políticos devido à participação de figuras de destaque na estrutura do clube. O atual presidente da Assembleia Geral do Vasco, Alan Belaciano, atuou como advogado do atleta Max quando a ação trabalhista foi ajuizada em 2016. Belaciano nega qualquer irregularidade, afirmando que sua atuação posterior ao assumir o cargo no clube limitou-se a uma mediação entre o ex-jogador e os advogados responsáveis pelo processo, a pedido do então CEO Carlos Amodeo.
A investigação já colheu depoimentos de diversos envolvidos na gestão financeira e jurídica da instituição. Entre os intimados estão o ex-diretor financeiro Gabriel Souza, a ex-diretora jurídica Bianca Reis, o próprio ex-jogador Max, além do presidente do clube, Pedrinho. As autoridades seguem analisando documentos e manifestações processuais para determinar se houve má-fé ou erro técnico na composição dos valores.
Disputas internas e o impacto no processo financeiro
A controvérsia sobre o crédito de Max expõe um racha interno na diretoria vascaína. Em janeiro, Bianca Reis chegou a assinar uma petição concordando com o valor de R$ 8 milhões, mas, após mudanças na gestão, a SAF solicitou a impugnação do mesmo documento. Esse movimento gerou questionamentos sobre a transparência e a coordenação das decisões estratégicas do clube durante a reestruturação financeira.
Em sua defesa, Alan Belaciano argumenta que a denúncia possui motivações políticas, relacionando o surgimento do caso ao período eleitoral e às tensões internas entre os grupos que compõem a administração do Vasco. O dirigente reforça que não é investigado e que a definição dos valores e das condições de pagamento foi responsabilidade exclusiva dos escritórios especializados contratados para conduzir a recuperação judicial.
Até o momento, o inquérito policial não estabeleceu responsabilidades criminais. O caso segue em andamento, enquanto a validade do crédito e os procedimentos de reestruturação financeira do clube continuam sob análise das instâncias judiciais competentes. Mais informações sobre o andamento do processo podem ser acompanhadas através de fontes oficiais, como o portal ge.
Fonte: terra.com.br


































