A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) implementou uma nova diretriz que limita as competições femininas exclusivamente a atletas do sexo biológico feminino. A medida, que alinha o esporte nacional às normas estabelecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), impacta diretamente a trajetória de Tifanny Abreu, jogadora do Osasco São Cristóvão Saúde. Aos 41 anos, a atleta enfrenta a possibilidade de encerramento precoce de sua carreira profissional caso a regra se consolide em todos os torneios nacionais.
Impacto profissional e reações de atletas
A decisão da entidade provocou um debate intenso entre jogadoras de vôlei. Bianca Cugno, ex-companheira de equipe de Tifanny, expressou desapontamento com a medida, destacando o esforço e a dedicação da atleta. O sentimento de injustiça foi compartilhado por nomes de peso da modalidade, como a central Luzia, da seleção brasileira, que classificou a mudança súbita como uma ação desumana, ressaltando o impacto direto no sustento e no planejamento de carreira da jogadora.
A levantadora Roberta também pontuou a falta de diálogo e empatia no processo de transição da regra. Segundo a atleta, a ausência de uma projeção antecipada prejudica não apenas o indivíduo, mas também o planejamento dos clubes, como o Osasco, que possuem contratos vigentes. Rosamaria, outro nome de destaque, reforçou anteriormente a necessidade de a sociedade buscar meios que garantam a inclusão e a proteção dos direitos de trabalho dos atletas profissionais.
Critérios técnicos e alinhamento internacional
O modelo adotado pela CBV, anunciado em 14 de agosto, prevê a utilização de testes do gene SRY para a comprovação do sexo biológico. De acordo com João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol, o processo de triagem genética é descrito como simples, seguro e altamente preciso. A medida visa equiparar os campeonatos brasileiros aos padrões internacionais, seguindo a Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, vigente desde março de 2026.
Radamés Lattari, presidente da CBV, defendeu que a adequação é fundamental para manter o vôlei brasileiro em sintonia com o cenário externo. A restrição internacional, aprovada originalmente em setembro de 2025, já é aplicada em competições como a Liga das Nações. Enquanto isso, o Osasco, clube de Tifanny, mantém o posicionamento de surpresa diante da decisão e avalia, junto ao seu departamento jurídico, as medidas cabíveis para o caso.
Continuidade no cenário competitivo
Apesar da nova política, Tifanny segue em ação no Campeonato Paulista. A Federação Paulista de Vôlei (FPV) esclareceu que o torneio respeita as normas vigentes no momento de sua abertura, em 13 de agosto. Eventuais alterações para futuras competições serão definidas após uma análise detalhada das áreas jurídica e de saúde. A CBV, por sua vez, já estabeleceu o cronograma de aplicação da regra para torneios como a Superliga e a Copa Brasil, previstos para os próximos anos.
Para mais informações sobre o contexto das políticas esportivas, consulte o portal oficial da Confederação Brasileira de Vôlei.
Fonte: uol.com.br


































