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Zé do Carmo: a trajetória do volante que marcou o futebol com histórias e gols memoráveis

Zé do Carmo: a trajetória do volante que marcou o futebol com histórias e gols memoráveis

Zé do Carmo, uma figura emblemática do futebol brasileiro, celebra mais um ano de vida com a riqueza de uma carreira repleta de momentos marcantes e narrativas que transcendem as quatro linhas. Conhecido por seu carisma e a capacidade de transformar cada lance em uma boa história, o ex-volante construiu uma trajetória vitoriosa, defendendo clubes como Vasco e Santa Cruz, além de vestir a camisa da Seleção Brasileira.

Sua passagem pelo esporte é pontuada por lances inesquecíveis e episódios bem-humorados, que o consolidaram como um dos personagens mais queridos e respeitados de sua geração. De capitão do Vasco campeão brasileiro a ídolo no Santa Cruz, Zé do Carmo compartilha as memórias que moldaram sua carreira e o transformaram em uma lenda viva.

O folclore do gol de Zico e as risadas de Zé do Carmo

Entre as muitas histórias que Zé do Carmo coleciona, uma das mais famosas envolve um dos gols mais antológicos de Zico, marcado em uma cobrança de falta pelo Campeonato Brasileiro de 1987. A anedota, que ganhou contornos de lenda no futebol, narrava que Zé do Carmo, então na barreira do Santa Cruz, teria dito ao goleiro que não perderia a chance de ver o golaço.

No entanto, o ex-jogador, com seu habitual bom humor, desmente a versão folclórica. “Isso aí inventaram, e eu continuei dizendo que era verdade porque dava Ibope. Mas nunca falei isso não”, revelou, aos risos. Ele explica que a situação real foi diferente, mas a brincadeira com Zico persiste até hoje, evidenciando o carisma e a leveza com que Zé do Carmo encara as memórias de sua carreira.

Gols inesquecíveis: do calcanhar mágico ao gol pela seleção

A carreira de Zé do Carmo foi marcada por gols que, embora não fossem sua principal característica como volante, se tornaram icônicos. Um deles foi um golaço de calcanhar pelo Santa Cruz, contra o Atlético-GO, no Campeonato Brasileiro de 1986. O lance, considerado o mais bonito de sua carreira, rendeu-lhe destaque no programa “Gol do Fantástico” e, surpreendentemente, um aumento salarial.

“Eu fiz o gol no domingo e durante a semana o Zé Neves (então presidente do Santa Cruz) me chamou lá na sala de presidência e disse: ‘Zé, eu não posso te dar uma placa pelo gol do car… que tu marcou lá no Serra Dourada. Mas eu vou te dar um aumento, pode ser?'”, recordou Zé do Carmo. O aumento de 400% reflete os tempos de hiperinflação, mas foi recebido com gratidão, superando a expectativa de uma placa que, segundo ele, nunca existiu.

Outro gol de grande relevância foi seu único pela Seleção Brasileira, em um amistoso contra o Peru, em maio de 1989. Apesar de ter balançado as redes às vésperas da Copa América, Zé do Carmo tinha consciência da forte concorrência na posição, com nomes como Dunga e Alemão. Ele considerava o gol uma forma de deixar uma “interrogação”, mas sem alimentar falsas esperanças de convocação para a competição principal.

Ídolo em dois clubes: conquistas com Vasco e Santa Cruz

A trajetória de Zé do Carmo é intrinsecamente ligada a dois clubes onde se tornou ídolo: Vasco da Gama e Santa Cruz. Pelo Vasco, ele foi capitão na conquista do Campeonato Brasileiro de 1989, um dos títulos mais importantes da história do clube. Além disso, participou da memorável final do Campeonato Carioca de 1988, que culminou em uma vitória sobre o Flamengo e uma comemoração efusiva.

“Não dei tapa em ninguém. Só ficava olhando para um lado e para o outro para não levar um murro sem saber de quem foi. E ficava só no grito: ‘Se vier vai levar porrada’. Mas só no grito”, contou Zé do Carmo sobre a confusão pós-gol de Cocada. No Santa Cruz, clube que o revelou, ele ergueu quatro taças do Campeonato Pernambucano, consolidando sua imagem como um dos grandes nomes da história coral.

O legado e a paixão pelos clubes que marcaram sua carreira

Atualmente, Zé do Carmo, que atua como comentarista, expressa tristeza pela situação de seus clubes do coração. O Vasco da Gama enfrenta desafios para se manter na elite do futebol nacional, enquanto o Santa Cruz, após anos de glória, busca reerguer-se no cenário brasileiro. A paixão do ex-jogador por essas equipes é palpável, e ele mantém a esperança em dias melhores.

“Meu sentimento é de tristeza porque esses foram dois times que eu aprendi a torcer. Então quando eu entrava em campo, era também o meu sentimento de torcedor ali dentro”, afirmou. Ele acredita firmemente na capacidade de recuperação de ambos os clubes, destacando o maior patrimônio que possuem: a torcida fiel que nunca os abandona, um testemunho da força e da história que Zé do Carmo ajudou a construir.

Ficha como jogador:

  • Clubes na carreira: Santa Cruz, Vasco, Coimbra (Portugal), CRB, Ituano e Uniclinic-CE.
  • Títulos: Campeão brasileiro de 1989, Campeão Carioca (1988), Campeão pernambucano (1983, 1986, 1993 e 1995).
  • Jogos pela seleção brasileira: 3.
  • Gol: 1 (Brasil 4×1 Peru, amistoso em 1989).

Fonte: netvasco.com.br

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