A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro determinou um novo patamar de fiscalização sobre a Vasco SAF. A decisão judicial, que visa garantir maior transparência e rigor administrativo, estabeleceu a contratação da empresa ICTS Global para realizar uma auditoria completa nos processos internos da companhia, abrangendo desde a governança corporativa até as operações de mercado.
Auditoria independente e escopo da análise
O tribunal validou o escopo e os valores apresentados pela ICTS Global, considerando-os adequados para a complexidade da investigação. O trabalho da auditoria focará em pontos críticos, como os controles internos, os fluxos de aprovação de investimentos e as estratégias adotadas nas negociações de atletas. Além disso, a análise contemplará os processos decisórios vinculados ao plano de Recuperação Judicial da instituição.
Para o início imediato dos trabalhos, a parte autora deve realizar o depósito de 60% do valor total da proposta. Após a confirmação desse aporte financeiro, a empresa terá um prazo de 30 dias corridos para entregar o laudo conclusivo ao juízo, fornecendo um panorama detalhado sobre a saúde administrativa da SAF.
Relatórios preliminares e restrições financeiras
Antes da entrega do documento final, a ICTS Global deverá apresentar, em até 15 dias corridos, relatórios parciais cruciais. Entre as exigências estão o detalhamento dos fluxos de aprovação de investimentos realizados desde janeiro de 2026, a elaboração de uma minuta para futuras prestações de contas que superem o montante de R$ 5,9 milhões e uma projeção do fluxo de caixa para o próximo trimestre.
Uma medida de impacto imediato impõe uma trava para novas dívidas. Fica proibida a contração de qualquer endividamento superior a R$ 5,9 milhões antes que essas informações preliminares sejam devidamente apresentadas ao tribunal. A decisão ressalta, contudo, que essa restrição não impede investimentos esportivos ou operações de mercado envolvendo jogadores, diferenciando-os de dívidas financeiras ordinárias.
Governança societária e exigências de transparência
Além da auditoria, a Justiça reforçou a necessidade de regularização das obrigações societárias da Vasco SAF. A empresa deve atualizar registros na Junta Comercial e publicar atas pendentes. É obrigatória a convocação de uma Assembleia para deliberar sobre as demonstrações financeiras de 2024 e 2025, além da nomeação de membros para os Conselhos de Administração e Fiscal, exigindo a presença de pelo menos um integrante independente em cada órgão.
A decisão reafirma a competência do Juízo Recuperacional para impor medidas de correção administrativa e fortalecer o compliance sem a necessidade de afastar os atuais gestores. O entendimento está alinhado a precedentes da segunda instância, que buscam o equilíbrio entre a continuidade da gestão e o monitoramento rigoroso por parte do Judiciário, Administração Judicial e Conselho Fiscal. Mais detalhes sobre o caso podem ser acompanhados através da fonte oficial em Podcast Cruzmaltino.
Fonte: netvasco.com.br

































