A Sport & Rights Alliance, coalizão dedicada à defesa dos direitos humanos no esporte, solicitou formalmente nesta quinta-feira que a Associação de Tênis Feminino (WTA) revogue sua recente política de testes de sexo. A entidade classificou a medida como discriminatória e potencialmente prejudicial à integridade e dignidade das atletas que compõem o circuito profissional.
A controvérsia teve início no mês passado, quando a organização anunciou a implementação de um teste genético obrigatório para identificar o gene SRY. O exame, que pode ser realizado via esfregaço bucal ou coleta de sangue, visa determinar o sexo biológico das competidoras, gerando um debate intenso sobre inclusão e privacidade no esporte de alto rendimento.
Impactos da política de testes genéticos no tênis
A diretora executiva da Sport & Rights Alliance, Andrea Florence, afirmou que a política ignora o estigma e o trauma que podem ser impostos a mulheres e meninas. Segundo a organização, a obrigatoriedade de comprovação biológica cria um ambiente de vigilância constante, independentemente das intenções declaradas pela associação esportiva.
O cenário ganhou complexidade após o posicionamento do Comitê Olímpico Internacional (COI) em março. A entidade olímpica estabeleceu que apenas atletas biologicamente femininas, validadas por um teste genético único, estariam aptas a competir na categoria feminina em eventos olímpicos, servindo de base para a decisão da WTA.
Debate sobre dignidade e inclusão no esporte
Especialistas em direitos humanos, como Lily Dong Li Rosengard, da ILGA World, argumentam que a medida prejudica a segurança das atletas. O argumento central é que, embora não existam mulheres trans competindo atualmente no nível profissional da WTA, a norma obriga todas as tenistas a passarem pelo processo de verificação de gênero.
A repercussão entre as atletas profissionais reflete a divisão de opiniões sobre o tema. Enquanto nomes como a bielorrussa Aryna Sabalenka manifestaram apoio à política, outras competidoras, como a norte-americana Coco Gauff, expressaram preocupações sobre o impacto da medida na animosidade contra a comunidade trans, mesmo defendendo a equidade nas competições.
A Reuters tentou contato com a WTA para obter um posicionamento oficial sobre as críticas, mas não obteve retorno imediato. A organização segue sob pressão de grupos ativistas que buscam a revisão das normas de elegibilidade baseadas em exames genéticos.
Fonte: uol.com.br

































