Davide Ancelotti detalha saída do Botafogo e cita falta de comando
O técnico Davide Ancelotti, atualmente no comando do Lille, na França, abriu o jogo sobre sua passagem pelo Botafogo. Em entrevista concedida ao jornal francês L’Équipe, o treinador italiano esclareceu os motivos que levaram ao seu pedido de demissão ao final de 2025, destacando um período de instabilidade administrativa no clube carioca.
Instabilidade administrativa e a saída de John Textor
Segundo o técnico, a decisão de deixar o cargo foi motivada pela ausência de uma liderança clara. Davide Ancelotti relatou que, após cinco meses de trabalho, o cenário interno tornou-se insustentável devido ao processo de saída de John Textor da gestão do clube. O treinador descreveu o período como um momento de incertezas, onde não havia sequer uma figura presidencial para formalizar decisões.
O italiano comparou a intensidade da experiência brasileira com o futebol europeu, afirmando que cinco meses no Botafogo equivaleriam a dois anos de desgaste no continente europeu. Ele ressaltou que, na época, o público externo não compreendia se ele havia sido desligado ou se ainda mantinha o vínculo, dada a falta de comunicados oficiais por parte da diretoria.
Avaliação do desempenho e expectativas no Botafogo
Apesar das dificuldades enfrentadas nos bastidores, Davide Ancelotti defende o legado deixado em sua primeira experiência como técnico efetivo. Sob seu comando, o clube disputou 33 partidas, acumulando 15 vitórias, 11 empates e 7 derrotas. O desempenho foi suficiente para garantir a classificação da equipe para a pré-Libertadores, após o encerramento do Campeonato Brasileiro de 2025 na sexta colocação.
O treinador ponderou que as expectativas criadas sobre o elenco eram desproporcionais às condições reais do grupo, que passou por mudanças profundas durante a temporada. Ele mencionou que, além das questões administrativas, o time sofreu com lesões e saídas de jogadores, o que complicou a manutenção de um padrão tático consistente ao longo dos meses.
Gratidão e o sentimento de isolamento
Mesmo com o desfecho conturbado, o técnico expressou gratidão pela oportunidade concedida por John Textor. O italiano reconheceu que o empresário foi o responsável por confiar em seu trabalho no início do projeto, embora tenha admitido que os conflitos internos geraram um sentimento de isolamento profissional durante o exercício da função.
A trajetória de Davide Ancelotti no futebol brasileiro encerrou-se sem uma demissão formal, uma vez que a estrutura de comando do clube estava praticamente desfeita no momento de sua saída. O treinador agora foca em sua nova etapa na França, buscando consolidar sua carreira à frente do Lille após o aprendizado adquirido no futebol sul-americano.
Fonte: fogaonet.com

































