A transição para o climatério e a menopausa representa um período de profundas transformações fisiológicas para as mulheres. Dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), baseados em levantamentos do IBGE, indicam que a prevalência de obesidade entre mulheres acima de 20 anos saltou de 14,5% para 30,2% entre 2003 e 2019. Esse crescimento expressivo acende um alerta sobre como as oscilações hormonais típicas dessa fase interferem diretamente no metabolismo e na manutenção do peso.
Desafios metabólicos durante o climatério e a menopausa
A queda nos níveis de estrogênio é um dos fatores centrais que alteram a composição corporal feminina. Essa mudança hormonal favorece a perda de massa muscular e a redução do gasto energético basal, facilitando o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal. A Dra. Álida Herédia, médica pós-graduada em Endocrinologia e Metabologia, destaca que o organismo passa a responder de maneira distinta aos hábitos de vida que antes eram suficientes para o controle do peso.
Além da questão hormonal, o envelhecimento natural e a redução da massa magra desempenham papéis fundamentais. Fatores como a piora na qualidade do sono, o aumento da resistência à insulina e alterações de humor contribuem para um ciclo de sedentarismo e fadiga. Muitas mulheres relatam ganho de peso mesmo mantendo a rotina alimentar de anos anteriores, o que reforça a necessidade de estratégias terapêuticas mais individualizadas.
Identificação de desequilíbrios hormonais e metabólicos
Embora nem toda dificuldade de emagrecimento seja de origem hormonal, a persistência de sintomas deve ser investigada. Sinais como ganho de peso progressivo, fadiga crônica, queda de cabelo, ondas de calor e distúrbios do sono, mesmo com dieta e exercícios, podem indicar a necessidade de avaliação médica especializada. A Northwell Health aponta que cerca de 80% das mulheres apresentam algum tipo de desequilíbrio hormonal, muitas vezes sem identificar a causa raiz.
O diagnóstico clínico exige uma análise abrangente que vai além de exames isolados. A investigação médica costuma incluir:
- Avaliação da função tireoidiana e glicemia
- Análise de hemoglobina glicada e perfil lipídico
- Dosagens hormonais como FSH e estradiol
- Análise de marcadores da função hepática
Abordagem terapêutica e o papel da medicina personalizada
O tratamento da obesidade, considerada uma doença crônica e multifatorial, deve ser integrado. A indicação de medicamentos, segundo as diretrizes internacionais, é reservada para pacientes com IMC igual ou superior a 30 kg/m², ou acima de 27 kg/m² quando há comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono. Contudo, a decisão clínica considera o risco cardiovascular e o histórico comportamental da paciente.
A endocrinologia moderna prioriza tratar a causa do problema em vez de apenas mitigar sintomas. Ao compreender o funcionamento do próprio organismo, a paciente consegue construir mudanças sustentáveis. O objetivo final é a preservação da massa muscular e a melhoria da saúde metabólica, devolvendo qualidade de vida e disposição para as atividades cotidianas.
Fonte: terra.com.br


































