O governo do Irã emitiu uma diretriz estratégica ao movimento houthi, no Iêmen, para que o grupo esteja preparado para interromper a rota de petróleo no Mar Vermelho. A medida, revelada por fontes à Reuters, surge como uma resposta direta a possíveis ofensivas dos Estados Unidos contra a infraestrutura energética iraniana, elevando o risco de uma crise global no abastecimento de combustíveis.
Coordenação militar e ameaça ao fluxo energético
A ordem foi discutida pela liderança da República Islâmica e transmitida aos aliados houthis, conforme relataram fontes de alto escalão sob condição de anonimato. O grupo iemenita já teria concluído preparativos operacionais, posicionando mísseis e drones nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb, ponto estratégico que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
A execução da manobra estaria sob supervisão de representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que operam em solo iemenita. O objetivo central de Teerã é aumentar o custo econômico para os Estados Unidos, utilizando a ameaça à navegação como uma ferramenta de pressão geopolítica em meio ao conflito crescente.
Impacto nas rotas globais de petróleo
O cenário é agravado pelo fato de o Estreito de Ormuz já estar fechado devido às tensões anteriores. Caso o Mar Vermelho também seja bloqueado, o mercado internacional enfrentaria a interrupção simultânea das duas principais rotas de exportação de energia do Oriente Médio, forçando o desvio de cargas para trajetos significativamente mais longos e onerosos ao redor da África.
Atualmente, o Mar Vermelho é responsável pelo transporte de cerca de 7% do abastecimento global de energia, incluindo uma parcela expressiva das exportações sauditas. Analistas de risco apontam que a fragilidade da região, somada ao recrudescimento dos combates entre houthis e a Arábia Saudita, cria um ambiente de extrema volatilidade para os mercados financeiros e energéticos.
Contexto de escalada entre Teerã e Washington
A tensão na região atingiu patamares críticos desde o final de fevereiro, quando ataques envolvendo Israel e Estados Unidos levaram o Irã a fechar o Estreito de Ormuz. A falha na manutenção de uma trégua firmada em junho entre Teerã e Washington reavivou temores de um conflito em larga escala.
Embora o Irã negue fornecer armamentos e treinamento direto aos houthis, o grupo é visto como um pilar fundamental do chamado "Eixo da Resistência", que engloba milícias aliadas na região. A possibilidade de fechamento da via navegável, segundo fontes regionais, não exige tecnologia bélica sofisticada, bastando ações pontuais para paralisar o tráfego comercial e elevar o preço do barril de petróleo mundialmente.
Fonte: terra.com.br


































