O potencial inexplorado do futebol como motor de desenvolvimento
O futebol transcende o entretenimento e consolida-se como a maior força de conexão global, superando barreiras geográficas, ideológicas e econômicas. Enquanto nações como os Estados Unidos e a Coreia do Sul utilizaram o soft power para projetar sua influência cultural através de Hollywood e do K-Pop, o Brasil mantém seu principal ativo — o futebol — à margem de uma estratégia nacional estruturada. Com uma base de 155 milhões de brasileiros que acompanham o esporte e uma audiência global estimada em 5 bilhões de pessoas, o país desperdiça uma oportunidade ímpar de transformar essa paixão em um pilar de desenvolvimento econômico e social.
Atualmente, o modelo brasileiro limita-se à exportação precoce de talentos, motivada pela necessidade emergencial de clubes em equilibrar orçamentos e quitar dívidas. Essa dinâmica, longe de ser uma estratégia de afirmação, reflete a fragilidade estrutural de um mercado que ainda não compreendeu o seu papel como indústria global. A ausência de uma política de Estado coordenada impede que o país capitalize sobre o seu maior símbolo, deixando o produto nacional com pouca relevância nos mercados internacionais, ao contrário das ligas europeias que se consolidaram como embaixadas globais.
A transição para o modelo de SAF e os desafios de investimento
A promulgação da Lei da SAF em 2021 marcou o início de uma transformação no cenário clubístico, impulsionando a migração do modelo associativo para o empresarial. Levantamentos do IBESAF indicam que, até o final de 2025, o país contabilizava 127 sociedades anônimas do futebol, com projeções de crescimento para 140 unidades. Apesar do avanço numérico, a falta de previsibilidade jurídica e as constantes interferências legislativas e tributárias afastam investidores de grande porte, que buscam segurança para financiar a expansão do mercado local.
A integração do futebol com setores estratégicos, como o mercado de capitais, turismo, hotelaria e serviços especializados, permanece fragmentada. Embora existam iniciativas isoladas, como a Lei do Mandante e o Programa de Desenvolvimento Educacional e Social, a falta de uma visão unificada impede que o esporte cumpra sua função integradora. O setor, por sua complexidade, exige um arcabouço regulatório que não apenas proteja os investimentos, mas que também harmonize as relações entre atletas, comissões técnicas e clubes, diferenciando-as das dinâmicas corporativas convencionais.
A necessidade de uma estrutura centralizada no Poder Executivo
A solução para o impasse reside na criação de uma Secretaria Especial do Futebol, vinculada diretamente à Presidência da República. Esta estrutura teria a missão de coordenar políticas setoriais, articular diálogos entre os Poderes e estabelecer metas claras para o desenvolvimento da indústria. A atuação do Estado, neste contexto, não representa intervenção indevida, mas o exercício de sua competência para formular as bases legais necessárias à construção de uma potência global.
Somente uma entidade com mandato para unificar ministérios e diretrizes poderá transformar o futebol em uma verdadeira política de Estado. Ao centralizar a gestão estratégica, o Brasil poderá finalmente organizar seu mercado, atrair investimentos de longo prazo e utilizar o futebol como um instrumento de inclusão social e projeção internacional, alinhando o país ao patamar das nações que compreendem o esporte como um ativo estratégico de valor incalculável. Para mais detalhes sobre a regulação do setor, consulte a Lei da SAF.
Fonte: uol.com.br


































