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Oposição questiona na Justiça lei que autoriza aporte bilionário ao BRB

Oposição questiona na Justiça lei que autoriza aporte bilionário ao BRB

Partidos de oposição ao governo do Distrito Federal ingressaram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). O objetivo do grupo é anular a lei distrital que viabiliza um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização do Banco de Brasília (BRB), solicitando também a suspensão cautelar dos efeitos da norma.

A medida foi protocolada na última quarta-feira, 8, pelos diretórios regionais do PT, PSB e PSOL. A iniciativa conta ainda com o apoio das representações locais da Rede Sustentabilidade e do PDT. O centro da disputa jurídica reside na legalidade das garantias oferecidas pelo Executivo local para viabilizar a operação financeira.

Questionamentos sobre a legalidade e o impacto orçamentário

Na petição enviada ao tribunal, os partidos argumentam que a Lei 7.914, sancionada em junho, padece de vícios constitucionais. Segundo a oposição, a legislação autoriza o uso de receitas públicas como contragarantias sem a devida estimativa de impacto orçamentário-financeiro, o que comprometeria a saúde fiscal do Distrito Federal a longo prazo.

As siglas classificam a autorização como um cheque em branco. O texto da ação aponta que o comprometimento das finanças públicas coloca em risco a continuidade de serviços essenciais, como saúde, educação, segurança e assistência social, além de citar preocupações específicas envolvendo o Banco Master.

Estrutura do empréstimo e condições impostas

A operação financeira prevista na lei envolve a obtenção de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estratégia prevê que um sindicato composto pelos maiores bancos do país ofereça garantia ao fundo, utilizando recursos dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM) como contragarantia para o Distrito Federal.

Para viabilizar o aporte, o governo distrital aceitou condições rigorosas de austeridade. Entre as exigências estão o congelamento de reajustes salariais, a suspensão de novos concursos públicos e a proibição de criar despesas obrigatórias ou conceder incentivos fiscais. Essas restrições devem perdurar até a quitação da dívida ou a obtenção da nota A+ na Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional, sendo que o DF detém atualmente a nota C.

Contexto político e riscos financeiros

A governadora Celina Leão (PP) declarou, em entrevista ao Estadão no dia 2 de julho, que o governo está nos trâmites finais para concretizar a operação. No entanto, a gestão tem enfrentado dificuldades para cumprir os cronogramas estabelecidos anteriormente, como o aporte que deveria ter ocorrido até 30 de junho.

Documentos da Consultoria Legislativa da Câmara Legislativa do DF reforçam o alerta sobre os riscos da operação. O parecer técnico sugere que a proposta transfere prejuízos decorrentes de fraudes para os cofres públicos, deixando a administração distrital vulnerável a riscos jurídicos e orçamentários significativos em um cenário de déficit bilionário.

Fonte: terra.com.br

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