A presença de Lionel Messi em campo durante a Copa do Mundo de 2026 reacendeu um boato persistente nas redes sociais: a alegação infundada de que o craque argentino teria sido diagnosticado com autismo. Embora essa narrativa circule na internet desde 2013, não há qualquer evidência médica ou oficial que sustente tal afirmação, sendo tratada por especialistas e pelo entorno do atleta como uma peça de desinformação.
A raiz do boato e a disseminação da mentira
A história ganhou força ao longo da última década, sendo replicada inclusive por figuras públicas, como o ex-jogador Christophe Dugarry. O boato ganhou contornos específicos ao sugerir que o capitão da Argentina possuiria autismo nível 1 ou a chamada Síndrome de Asperger, um termo que, vale ressaltar, caiu em desuso pela comunidade científica internacional.
Um dos marcos iniciais dessa desinformação foi um artigo assinado pelo jornalista Roberto Amado. O texto tentava sustentar a tese listando comportamentos do jogador, como a timidez diante da imprensa, o estilo de finalização e a repetição de padrões em seus dribles, como supostos indícios de um transtorno do espectro autista.
O posicionamento médico e familiar
A família e o círculo próximo de Lionel Messi sempre refutaram categoricamente essas alegações. O médico Diego Schwartzstein, profissional que acompanhou o desenvolvimento do atleta durante sua infância e adolescência, foi enfático ao classificar a história como uma completa invenção, confirmando que o jogador jamais recebeu tal diagnóstico.
A tentativa de rotular o comportamento de um atleta de elite como um transtorno neurodivergente ignora a complexidade de um diagnóstico clínico. Especialistas em saúde mental reforçam que características de personalidade ou habilidades esportivas específicas não servem como base para qualquer avaliação diagnóstica, que exige critérios rigorosos e acompanhamento profissional especializado.
O impacto negativo da romantização do espectro
Além de ser uma inverdade, a disseminação dessa narrativa gera um desserviço social. A ideia do “gênio autista” frequentemente romantiza o transtorno, criando uma percepção distorcida na sociedade. Segundo especialistas consultados pelo UOL, esse tipo de estereótipo pode prejudicar a compreensão pública sobre as reais necessidades de suporte e a importância de políticas públicas voltadas para pessoas com autismo.
Ao tratar o diagnóstico como uma curiosidade sobre um ídolo do esporte, a desinformação desvia o foco do debate sério sobre inclusão e acessibilidade. O caso de Lionel Messi permanece, portanto, como um exemplo de como narrativas infundadas podem ganhar proporções globais na era digital, mesmo diante de desmentidos claros por parte de quem acompanhou a trajetória do atleta desde o início.
Fonte: uol.com.br


































