À medida que a Copa do Mundo avança para suas fases decisivas, o confronto entre Inglaterra e Noruega nas quartas de final promete ser um espetáculo não apenas dentro de campo, mas também nas arquibancadas. Antes mesmo de a bola rolar, o duelo já se destaca pela paixão e criatividade de suas torcidas, que transformaram suas celebrações em fenômenos virais, adicionando uma camada cultural e emocional única ao torneio.
De um lado, a torcida inglesa adotou o clássico “Wonderwall” do Oasis como hino não oficial de sua campanha, criando momentos de arrepiar que ecoaram pelas redes sociais. Do outro, os noruegueses conquistaram o público com a enérgica “remada viking”, um ritual de sincronia que simula o movimento de remadores, consolidando-se como uma das imagens mais marcantes desta edição da Copa.
A Melodia Britânica que Conquistou a Copa do Mundo
A conexão entre a seleção da Inglaterra e sua torcida ganhou uma força inesperada e emocionante durante a fase de grupos. Após uma vitória crucial sobre a Croácia, jogadores e milhares de torcedores se uniram em um coro espontâneo, cantando “Wonderwall” do Oasis. Atletas como Harry Kane e Jude Bellingham permaneceram em campo, observando a arquibancada enquanto os versos da canção eram entoados, transformando a melodia em uma declaração de amor e apoio à equipe nacional.
O mais curioso é que essa tradição não era preexistente. Segundo Sam Lee, correspondente do The Athletic que acompanha o futebol inglês, a música começou a tocar nos alto-falantes do estádio por acaso após o jogo, e a torcida simplesmente a acompanhou, dando vida a um novo ritual. A espontaneidade do momento fez com que a canção se tornasse um hit inesperado da campanha inglesa, com o potencial de se consolidar como uma nova tradição.
Para o jornalista, o contexto de uma Copa do Mundo, com milhares de torcedores longe de casa, potencializou a emoção. “Wonderwall”, lançada em 1995 no álbum (What’s the Story) Morning Glory?, evoca uma forte nostalgia, remetendo os fãs à Inglaterra, aos anos 1990 e a momentos felizes, criando um elo afetivo poderoso com o país e a seleção.
O Ritual Nórdico que Virou Febre Mundial
Enquanto a Inglaterra embala sua torcida com música, a Noruega encontrou sua identidade em um ritual visualmente impactante: a “remada viking”. Após cada vitória, jogadores e torcedores se sentam ou se inclinam em sequência, batendo palmas e simulando o movimento coordenado de remadores, recriando a imagem de uma embarcação viking em perfeita sincronia. Essa cena rapidamente viralizou, especialmente após a vitória sobre o Brasil nas oitavas de final, tornando-se um dos momentos mais memoráveis do torneio.
Apesar da aparência de uma tradição ancestral, a celebração é, na verdade, uma invenção muito recente. Thore Haugstad, jornalista norueguês e colaborador da The Players’ Tribune, revelou que a remada surgiu apenas nos amistosos de preparação para a Copa, realizados em março. Um grupo da torcida organizada iniciou o movimento, que desde então cresceu exponencialmente, superando todas as expectativas.
Haugstad explica que a inspiração para a remada veio naturalmente da rica cultura viking, frequentemente utilizada pelos torcedores noruegueses, que costumam usar capacetes com chifres e até viram a seleção adotar números inspirados em vikings nas camisas anos atrás. Ele ressalta que não há ligação direta com séries de televisão populares, mas sim uma base cultural sólida que serviu de alicerce para essa nova forma de celebração.
Além do Campo: União e Identidade nas Celebrações
Mais do que simples manifestações de alegria, tanto “Wonderwall” quanto a “remada viking” se tornaram ferramentas poderosas para fortalecer a identidade das seleções e aproximar ainda mais jogadores e torcedores. A remada norueguesa, em particular, é vista como um elemento que cria uma cultura de união em torno da equipe, sendo descrita como contagiante, inclusiva, divertida de fazer e visualmente impressionante quando um setor inteiro do estádio se movimenta em conjunto.
A popularidade dessas celebrações transcendeu as fronteiras dos estádios, alcançando as ruas de cidades como Oslo, onde desconhecidos se reúnem para remar juntos, e até mesmo figuras importantes como o príncipe herdeiro participam, demonstrando o sucesso da missão de criar um sentimento de pertencimento. Embora tenha havido um debate na Noruega sobre o uso excessivo da imagem dos vikings, a adesão massiva prova o impacto positivo.
O confronto entre Inglaterra e Noruega, agendado para o próximo sábado, às 18h (de Brasília), em Miami (EUA), não será apenas uma disputa por uma vaga na semifinal. Será também um encontro entre duas das torcidas que mais se destacaram nesta Copa do Mundo, criando momentos próprios e inesquecíveis que enriqueceram a experiência do torneio para milhões de fãs ao redor do mundo. Para mais informações sobre a Copa do Mundo, visite o site oficial da FIFA.
Fonte: ge.globo.com

































