A aposentadoria, marco tradicional de encerramento da jornada laboral, parece um horizonte distante para muitos educadores brasileiros. Mesmo após décadas dedicadas à sala de aula, profissionais com idades entre 62 e 76 anos optam por permanecer na ativa, movidos por um vínculo profundo com o aprendizado e pela missão de formar novas gerações. Para esses professores, o ofício transcende a necessidade financeira, consolidando-se como um pilar de vitalidade intelectual e social.
A conexão humana como motor da longevidade docente
O que mantém esses profissionais em sala de aula é, fundamentalmente, o impacto direto na trajetória de seus estudantes. Denise Rampazzo, professora de Pedagogia no Instituto Singularidades, destaca que o ato de educar é uma troca constante de experiências. Para ela, a sala de aula é o espaço onde se formam cidadãos capazes de realizar escolhas melhores, um processo que ela acompanha com entusiasmo desde a época em que lecionava para o Ensino Fundamental.
Essa mesma percepção é compartilhada por Ronaldo Carrilho, gerente pedagógico do Anglo. Com mais de 40 anos de carreira, ele compara a dinâmica das aulas a uma banda que realiza diversos shows: embora o repertório seja conhecido, a interação com o público é sempre singular. O desafio de ensinar e o contato humano diário funcionam como um estímulo que renova sua disposição a cada novo semestre letivo.
Superação e adaptação na era da inteligência artificial
Longe de se sentirem obsoletos, esses professores encaram a tecnologia e as inovações, como a Inteligência Artificial, como novos desafios intelectuais. Monika Kuszka, professora de História no colégio Móbile, afirma que o desejo de compreender essas ferramentas é o que a mantém conectada ao mundo contemporâneo. Para ela, o trabalho é o antídoto contra a estagnação, garantindo que o cérebro permaneça ativo e curioso.
Regilaine Moraes, docente do Colégio Ábaco, reforça que a atualização constante é uma exigência para quem deseja manter o engajamento dos alunos. A busca pela aula ideal, que ela define como um processo de constante aprimoramento, impede que o educador se torne refém de métodos ultrapassados. A tecnologia, portanto, não é vista como uma ameaça, mas como um recurso que exige criatividade e dinamismo na comunicação com os jovens.
O legado construído e o reconhecimento dos ex-alunos
O orgulho pelos projetos desenvolvidos ao longo de décadas é outro fator que sustenta a permanência desses veteranos. Carlos Alberto De Simone, coordenador de Educação Física do Colégio Bandeirantes, exemplifica como a construção de uma cultura esportiva sólida ao longo de 30 anos gera uma satisfação pessoal inestimável. Ver o sucesso de suas equipes e o reconhecimento de ex-alunos que seguiram carreiras de sucesso, inclusive na medicina, valida a importância de sua trajetória.
Apesar da dedicação, o planejamento para o futuro começa a surgir entre alguns entrevistados, que vislumbram o descanso após uma vida de contribuições. Marcos Montagnoli, professor de Alemão no Colégio Rio Branco, admite que, aos 76 anos, o corpo começa a pedir tréguas. Ainda assim, a transição para a aposentadoria é encarada com a consciência de quem deixou um legado significativo na educação brasileira, conforme detalhado em reportagem do Estadão.
Fonte: terra.com.br

































