A suspensão provisória do surfista Alan Cleland Jr. pela World Surf League (WSL) trouxe à tona a robustez do código de conduta da entidade. O atleta mexicano foi afastado após alegações graves envolvendo um encontro privado no Taiti com uma adolescente australiana, ocorrido em agosto. O regulamento da liga permite que medidas disciplinares sejam aplicadas mesmo na ausência de uma condenação criminal formal, focando na preservação da integridade e da imagem do esporte.
Alcance das normas disciplinares da WSL
O capítulo 14 do livro de regras da WSL estabelece que a jurisdição disciplinar da entidade não se limita ao ambiente das competições. A regra 14.03 é clara ao prever punições para comportamentos que prejudiquem a confiança pública na liga ou que reflitam negativamente sobre o surfe. Essa diretriz permite que a organização intervenha em episódios ocorridos fora do âmbito profissional, desde que a conduta seja considerada prejudicial.
A regra 14.04 reforça esse entendimento ao determinar que infrações podem ser processadas independentemente do momento ou do local em que ocorreram. Portanto, o fato de o episódio no Taiti ter acontecido em uma reunião privada não impede a avaliação pela Comissão Disciplinar. A entidade confirmou ter agido após tomar conhecimento de alegações graves e ofereceu suporte às autoridades competentes.
Política de tolerância zero para abusos
No que tange a casos de assédio e abuso sexual, a regra 14.10 do regulamento da WSL é taxativa ao instituir uma política de tolerância zero. As sanções previstas são severas e variam desde multas, que podem chegar a US$ 50 mil, até a suspensão ou expulsão definitiva do circuito mundial. A liga ressalta que a aplicação dessas medidas não é automática, dependendo de uma análise detalhada pela estrutura disciplinar da organização.
O caso ganhou contornos adicionais com relatos de Noah Klapp, ex-namorada de Cleland, que utilizou as redes sociais para denunciar episódios de violência física e sexual durante o período em que mantiveram um relacionamento. Até o momento, o surfista não se manifestou publicamente sobre as acusações. A repercussão do caso já gerou consequências comerciais, com a remoção do atleta da seção de competidores no site da Quiksilver, sua principal patrocinadora.
Procedimentos e desdobramentos do caso
Embora a imprensa internacional, como a publicação Surfing World, tenha identificado Cleland como o competidor suspenso, a WSL mantém a cautela em seus comunicados oficiais. A entidade reforça que continua seguindo seus procedimentos internos e que não pode fornecer detalhes adicionais sobre o andamento das investigações no momento.
A suspensão provisória imposta ao atleta não possui prazo definido e abrange todos os eventos organizados pela liga. Enquanto as autoridades australianas foram notificadas sobre o ocorrido no Taiti, não há confirmação de que a polícia da Polinésia Francesa tenha formalizado procedimentos criminais contra os envolvidos no encontro privado.
Fonte: uol.com.br


































