A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou uma auditoria rigorosa para identificar treinadores em atividade no país que utilizam licenças emitidas pela Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA). A medida ocorre após a revelação de um esquema de venda de diplomas e certificados falsos, que envolve o nome do ex-jogador Alejandro Mancuso.
O pente-fino da entidade busca garantir a integridade das qualificações técnicas no futebol nacional. Para validar a autenticidade dos registros, a CBF solicitou um endosso formal à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), cruzando os dados apresentados pelos profissionais com as bases oficiais das instituições argentinas.
Ação da CBF contra irregularidades na documentação
A investigação ganhou força após reportagens do UOL Prime apontarem a comercialização de certificados fraudulentos. Diante das evidências, a CBF determinou que todos os treinadores que utilizaram a licença argentina como comprovação de aptidão passem por uma nova checagem de seus registros profissionais.
O caso mais emblemático envolve o técnico do Joinville, Diego Souza. O profissional teve sua inscrição no Boletim Informativo Diário (BID) suspensa pela CBF após a ATFA confirmar que o nome consultado não constava em seus registros oficiais. O treinador havia sido registrado em 27 de agosto, apresentando uma licença PRO que, segundo as autoridades argentinas, não possui validade.
Apuração interna e responsabilidades dos clubes
Além da suspensão no BID, o episódio envolvendo o técnico do Joinville foi encaminhado para instâncias superiores. A CBF confirmou que o caso está sob análise da Comissão de Ética e da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgãos responsáveis por aplicar sanções disciplinares e apurar responsabilidades sobre a fraude documental.
A entidade reforçou que a responsabilidade pela veracidade dos documentos apresentados no momento do registro recai sobre os clubes contratantes. Conforme o artigo 13 do Regulamento Geral de Registros, as agremiações devem assegurar que as credenciais de seus funcionários estejam em conformidade com as normas vigentes, evitando a entrada de profissionais sem a devida habilitação técnica no sistema da confederação.
Contexto do esquema envolvendo Alejandro Mancuso
As investigações apontam que Alejandro Mancuso, que atuava como intermediário, apresentava-se como diretor internacional da ATFA para oferecer as licenças. O técnico Diego Souza relatou que recebeu a documentação em 2023, período em que ainda integrava o elenco do Grêmio, após ser abordado pelo ex-jogador.
A CBF mantém o monitoramento constante para evitar que novos casos de diplomas falsos comprometam o padrão de licenciamento exigido no futebol brasileiro. A colaboração com a Conmebol é considerada o pilar central para estancar a entrada de profissionais irregulares no mercado nacional.
Fonte: uol.com.br


































