O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande Jr. levantou questionamentos contundentes sobre a conduta de atletas brasileiros envolvidos em um esquema de venda de licenças de treinador fraudulentas. A polêmica gira em torno de Alejandro Mancuso, ex-volante com passagens por Flamengo e Palmeiras, que teria liderado uma rede internacional para comercializar certificados falsos.
Segundo a apuração detalhada pela jornalista Joanna de Assis, o esquema oferecia licenças de categorias variadas, incluindo a prestigiada Pro, por valores que chegavam a US$ 20 mil. A promessa de entrega em apenas dez dias contrastava drasticamente com o período regular de formação, que costuma exigir cerca de três anos de dedicação acadêmica e prática.
Esquema internacional de licenças falsas e a investigação jornalística
A investigação conduzida por Joanna de Assis durou mais de dois anos e revelou que os documentos emitidos não possuíam qualquer validade legal perante as confederações de futebol. O caso ganhou força em 2024, após a denúncia de um jogador que foi abordado com a promessa de obter as licenças C, B, A e A Pro em um prazo recorde.
De acordo com os dados levantados, todos os diplomas enviados aos compradores eram falsificados. Embora os atletas tenham sido tecnicamente vítimas de um golpe de estelionato, a facilidade com que aceitaram a proposta sem verificações jurídicas ou consultas formais à CBF Academy gerou um debate sobre a ética e a profissionalização no meio esportivo.
Casagrande aponta ingenuidade ou omissão de atletas diante de promessas irreais
Para Walter Casagrande Jr., é difícil acreditar que profissionais experientes do futebol não tenham desconfiado de uma oferta tão discrepante da realidade. Ele argumenta que a diferença entre três anos de curso e dez dias de espera é um sinal de alerta óbvio que deveria ter levado os interessados a buscar assessoria legal antes de efetuar qualquer pagamento.
O comentarista destacou que, embora possam ser considerados vítimas do ponto de vista criminal, há um componente de consciência sobre a tentativa de obter uma vantagem indevida. Casagrande classificou o comportamento como infantilizado, sugerindo que muitos jogadores preferem delegar decisões críticas a terceiros sem o devido zelo pela própria carreira.
Erros grosseiros em documentos e a busca por facilidades no futebol
Um dos pontos mais surreais da investigação envolve o ex-jogador Alex, que teria recebido um diploma onde constava a palavra futsal em vez de futebol de campo. Esse tipo de erro evidente reforça a tese de que os documentos jamais passariam por uma fiscalização rigorosa em federações ou confederações oficiais, o que explica por que a maioria dos envolvidos nunca tentou utilizar os registros.
A questão moral sobre a busca pela facilidade foi um dos pilares da discussão no UOL Esporte. Especialistas apontam que a credibilidade de nomes conhecidos, como o de Mancuso, foi utilizada como isca para atrair outros atletas. No entanto, o desejo de encurtar caminhos na transição para a carreira de técnico acabou resultando em prejuízos financeiros e danos à imagem dos profissionais envolvidos.
Fonte: uol.com.br

































