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Esquema de licenças falsas de treinador envolve astros do futebol e Alejandro Mancuso

Esquema de licenças falsas de treinador envolve astros do futebol e Alejandro Mancuso

O ex-jogador Alejandro Mancuso, com passagens marcantes por Flamengo e Palmeiras na década de 90, está no centro de uma investigação sobre a venda de licenças PRO de treinador sem validade acadêmica ou legal. Durante anos, o argentino convenceu diversos atletas de elite e ex-jogadores de que seria possível obter a certificação profissional sem a necessidade de cumprir a carga horária de estudos, mediante o pagamento de 100 mil reais.

A lista de nomes envolvidos no esquema inclui figuras de peso do futebol sul-americano, como Thiago Silva, Felipe Melo, Roberto Carlos, Luiz Gustavo, Diego Lugano e Dejan Petkovic. A apuração revela que, embora os atletas acreditassem estar adquirindo um documento oficial com o aval da ATFA (Asociación de Técnicos del Fútbol Argentino), os certificados entregues não possuíam qualquer lastro na instituição, tratando-se de documentos falsos.

A mecânica da fraude e a rede de influência

Mancuso utilizava sua credibilidade no meio esportivo para vender a ideia de um “atalho” exclusivo para jogadores profissionais. Ele alegava que, na Argentina, existiria uma facilidade para que atletas de alto nível obtivessem a licença sem passar pelo processo educacional padrão. A estratégia de convencimento era reforçada pelo uso de nomes de outros jogadores famosos que já haviam aderido ao negócio, criando um ciclo de confiança que atraía novos clientes.

Muitos dos compradores, ao receberem os documentos em casa, enviavam fotos posando com o certificado, o que servia como prova social para que Mancuso expandisse sua rede. Em entrevistas, diversos atletas admitiram ter aceitado a proposta por acreditar tratar-se de uma facilidade legalizada, sem compreender que estavam sendo vítimas de um golpe ou participando de uma irregularidade.

Investigação e o desmentido das instituições

A atuação de Mancuso como “despachante de licenças” entrou no radar das autoridades argentinas em julho do ano passado, quando uma investigação foi aberta para apurar a origem dos certificados de jogadores como Paolo Guerrero e Roberto Assis. A ATFA, em contato oficial, afirmou categoricamente que Mancuso jamais trabalhou para a entidade e que todos os certificados emitidos por ele são falsos.

Em entrevista, o próprio Mancuso negou as acusações e sugeriu que os jogadores que utilizam seu nome estariam mentindo. Contudo, áudios obtidos pela reportagem mostram o ex-jogador admitindo a existência de um “esquema” com diversos atletas, contradizendo sua defesa pública. A inconsistência nas declarações e a tática de manipulação de respostas são apontadas como parte do método utilizado pelo ex-volante para confundir interlocutores.

O impacto na carreira dos atletas

O processo na Argentina foi extinto por falta de provas, mas o alerta sobre a fraude permanece. Nenhum dos certificados emitidos possui validade, o que coloca em risco a transição de carreira de diversos profissionais que investiram tempo e dinheiro acreditando na legitimidade da oferta. A vergonha pela exposição e o receio de admitir a compra de um diploma sem o devido estudo têm inibido denúncias formais por parte das vítimas.

O histórico de polêmicas de Mancuso não é recente; em 2013, o ex-jogador já havia sido alvo de críticas públicas de Diego Maradona. A persistência do esquema até setembro deste ano demonstra como a vulnerabilidade de jogadores em fase final de carreira é explorada por figuras que utilizam o prestígio do passado para validar fraudes no presente. Para mais detalhes sobre o caso, consulte a reportagem completa no portal UOL.

Fonte: uol.com.br

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