O ex-jogador Alejandro Mancuso, com passagens marcantes pelo Flamengo e Palmeiras na década de 90, está no centro de uma investigação sobre a venda de licenças PRO de treinador que não possuem validade oficial. Durante anos, o ex-volante convenceu diversos nomes de peso do futebol sul-americano a desembolsar cerca de 100 mil reais por certificados que, segundo a Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA), nunca foram emitidos pela entidade.
A rede de influência e o modus operandi da fraude
A estratégia de Mancuso baseava-se em explorar a transição de carreira de atletas de elite. Entre os nomes que teriam adquirido os documentos estão Thiago Silva, Felipe Melo, Roberto Carlos, Luiz Gustavo, Diego Lugano e Dejan Petkovic. O ex-jogador utilizava seu prestígio e o suposto aval da ATFA para vender a ideia de um “atalho” legalizado, afirmando que, por serem ex-atletas de alto nível, os jogadores estariam isentos das etapas presenciais do curso.
Apesar de os jogadores alegarem que não tinham ciência da irregularidade, a investigação aponta que nenhum dos certificados possui lastro no sistema da ATFA. Em entrevistas, a própria instituição negou qualquer vínculo profissional com Mancuso e reforçou que os documentos são falsos. A fachada de legitimidade era sustentada pelo uso de nomes de outros atletas renomados como prova social, criando um ciclo de confiança que facilitava novas vendas.
Confronto e contradições na defesa do ex-jogador
Em entrevista recente, Alejandro Mancuso tentou justificar as irregularidades alegando que os jogadores não haviam concluído o processo necessário. No entanto, a apuração aponta que não existem registros de matrícula desses atletas no Campus Virtual da ATFA. O discurso de Mancuso é marcado por contradições, alternando entre negar a oferta dos certificados e culpar os próprios compradores pela falta de conclusão dos cursos.
A tática de manipulação estende-se a tentativas de silenciar questionamentos. Antes da entrevista, o ex-jogador tentou utilizar intermediários para deslegitimar a apuração jornalística. O histórico de controvérsias de Mancuso não é recente; em 2013, ele já havia sido publicamente acusado de golpe por Diego Maradona, evidenciando um padrão de comportamento que precede as denúncias atuais.
Impactos no mercado e a fragilidade do sistema
O esquema operava com baixo custo operacional e alta margem de lucro, aproveitando-se do receio das vítimas em denunciar a fraude. Muitos atletas, ao descobrirem que possuíam papéis sem valor legal, optaram pelo silêncio para evitar a exposição pública ou o constrangimento de terem participado de um processo ilícito. A falta de denúncias formais permitiu que a prática persistisse por anos, mesmo após alertas da polícia argentina.
Para mais detalhes sobre as investigações esportivas, consulte o portal UOL Esporte. O caso serve como um alerta sobre a necessidade de rigor na obtenção de qualificações profissionais no futebol, onde a busca por facilidades pode resultar em prejuízos financeiros e danos irreparáveis à reputação de profissionais consagrados.
Fonte: esporte.uol.com.br

































