A teledramaturgia brasileira celebra o retorno de uma de suas produções mais emblemáticas. Roque Santeiro, obra fundamental escrita por Dias Gomes, voltou à programação da Globo na última segunda-feira (5). A trama ocupa a faixa Edição Especial, substituindo a novela Além do Tempo, e promete reconectar o público com a icônica cidade fictícia de Asa Branca.
Exibida originalmente entre 1985 e 1986, a produção consolidou-se como um marco cultural ao misturar sátira política e folclore popular. A narrativa central gira em torno de um artesão que, após um suposto ato heroico, é transformado em santo pelos moradores locais, gerando uma complexa rede de interesses e mentiras que sustenta a economia e a política da região.
A construção do mito em Asa Branca
A história tem início quando Roque Santeiro, interpretado por José Wilker, desaparece durante uma invasão liderada pelo criminoso Navalhada, vivido por Oswaldo Loureiro. Como seu corpo nunca foi localizado, a população de Asa Branca cria a lenda de que ele teria morrido para proteger os habitantes. A partir de visões e supostos milagres, o artesão torna-se um símbolo de devoção, movimentando o turismo religioso e o comércio de lembranças na cidade.
A farsa, contudo, é sustentada por figuras poderosas que lucram com a santificação do personagem. Entre eles, destaca-se a Viúva Porcina, papel de Regina Duarte, que forjou um casamento com o herói, e Sinhozinho Malta, interpretado por Lima Duarte. O retorno inesperado de Roque após 17 anos ameaça desestabilizar todo o sistema de poder e prestígio construído sobre a mentira.
Conflitos amorosos e o impacto do retorno
O reencontro entre Roque e Porcina altera drasticamente a dinâmica da trama, dando início a um triângulo amoroso que envolve também Sinhozinho Malta. A convivência forçada entre o verdadeiro Roque e aqueles que lucraram com sua ausência gera uma série de conflitos que expõem a hipocrisia da elite local. A relação entre os protagonistas torna-se o eixo central para o desenvolvimento de situações inesperadas e o aprofundamento das críticas sociais presentes no texto.
Bastidores e legado da produção
Com 209 capítulos, a novela contou com a coautoria de Aguinaldo Silva e a colaboração de Marcílio Moraes e Joaquim Assis. Além da trama principal, o universo de Asa Branca é enriquecido por subtramas, como o mistério do suposto lobisomem e a chegada de uma equipe de cinema. A obra, que pode ser conferida em detalhes no portal Gshow, mantém sua relevância ao abordar temas como a manipulação da fé e a construção de ídolos populares.
Fonte: terra.com.br

































