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Infantino enfrenta isolamento na Suíça enquanto busca votos globais para reeleição

A Associação Suíça de Futebol (SFV) formalizou a retirada de seu apoio à candidatura de Gianni Infantino para a presidência da Fifa no pleito de 2027. A decisão, tomada em 25 de setembro, marca um distanciamento simbólico importante, visto que a entidade mundial possui sua sede em território suíço. O posicionamento oficial da SFV aponta falhas críticas na gestão, governança e transparência da organização sob o comando do atual presidente.

O descontentamento da federação suíça, liderada por Peter Knabel, foi motivado principalmente pela tentativa de venda de ações da subsidiária Fifa Forward Enterprise (FFE), que visava captar cerca de R$ 21,5 bilhões, e pelo caso envolvendo a reversão da suspensão do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo. Para a SFV, a falta de respostas convincentes sobre esses episódios inviabiliza a continuidade do suporte político ao atual mandatário.

Crise de governança e questionamentos sobre a gestão

O plano de privatização parcial da FFE, apresentado após o Mundial, gerou uma onda de rejeição global, forçando a cúpula da Fifa a arquivar o projeto. Além disso, a interferência externa no caso Balogun, que permitiu ao jogador atuar nas oitavas de final após movimentações políticas, foi interpretada pela SFV como uma quebra nos processos de tomada de decisão baseados em regras claras.

Apesar da postura crítica, a associação suíça reforçou que não pretende se afastar das atividades da entidade. A SFV declarou que manterá seu compromisso com a ética e a integridade no futebol internacional, exercendo seu papel de vigilância a partir do país que abriga a sede da instituição, conforme detalhado em comunicado oficial da entidade.

Estratégia de Infantino para neutralizar dissidências

Enquanto perde terreno em sua base, Infantino tem adotado uma estratégia de aproximação direta com associações-membro de confederações que historicamente se opõem à sua gestão, como a Uefa, a AFC e a Concacaf. O presidente tem realizado agendas bilaterais com federações de países como Azerbaijão, Letônia, Uzbequistão e Jamaica, buscando garantir votos individuais que compensem a resistência das cúpulas continentais.

A dinâmica eleitoral da Fifa favorece essa tática, uma vez que o peso do voto é idêntico para todos os 211 países filiados, independentemente de sua tradição ou sucesso esportivo. Com a Conmebol e a CAF mantendo apoio unânime, o cenário aponta para uma disputa onde a articulação política individual supera a influência das coalizões regionais.

Caminho para o pleito de 2027 em Rabat

O cronograma eleitoral segue em ritmo acelerado, com o prazo final para a inscrição de candidaturas marcado para 28 de novembro. O pleito está agendado para 28 de março, em Rabat, no Marrocos. Caso haja apenas dois candidatos, a vitória será definida por maioria simples, enquanto a presença de três ou mais postulantes exigirá uma maioria de dois terços dos votos válidos no primeiro turno.

Mesmo com o desgaste acumulado por polêmicas recentes, analistas observam que Infantino mantém uma base sólida de sustentação. A capacidade de ceder a demandas financeiras das confederações — como a proposta de ampliar repasses das reservas da Fifa — tem servido como um instrumento eficaz para pacificar tensões e assegurar a governabilidade necessária para a reeleição.

Fonte: uol.com.br

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