A Fifa apresentou uma petição formal ao tribunal do Distrito Sul da Flórida, nos Estados Unidos, alegando que a Uefa está conduzindo uma campanha de assédio contra o presidente da entidade, Gianni Infantino. O documento, protocolado na noite de segunda-feira, busca impedir que a organização europeia obtenha provas relacionadas a um projeto de investimento privado que gerou turbulência no cenário esportivo global.
O litígio gira em torno do plano conhecido como Fifa Forward Enterprise (FFE), que visava a venda de 20% dos direitos comerciais futuros da entidade por US$ 4,2 bilhões a investidores liderados por Josh Kushner. A proposta, revelada em 28 de julho, foi abandonada poucos dias após sofrer forte resistência e repercussão negativa no meio futebolístico.
Disputa jurídica e alegações de má-fé
A defesa da Fifa argumenta que a Uefa agiu de forma equivocada ao sugerir que Gianni Infantino buscava lucros pessoais com o projeto. Segundo os advogados, a entidade europeia utiliza o processo judicial como um instrumento de assédio, visando preparar uma denúncia criminal na Suíça por suposta má gestão financeira.
A Uefa, por sua vez, solicitou autorização para coletar provas em tribunais de Manhattan e Miami. Documentos apresentados anteriormente pela entidade europeia alegavam que o valor do negócio estava fora dos padrões de mercado e teria sido promovido pelo presidente da Fifa em benefício próprio, citando especulações sobre um possível cargo de CEO com remuneração elevada.
Impactos no calendário eleitoral da Fifa
A tensão entre as duas entidades ocorre em um momento crítico para a governança do futebol mundial. Com o prazo de 18 de novembro se aproximando para a oficialização de candidaturas à presidência da Fifa, a disputa judicial ganha contornos políticos claros.
Gianni Infantino planeja buscar um quarto e último mandato na eleição marcada para março, no Marrocos, visando estender sua gestão até 2031. Os advogados da Fifa sustentam que o tribunal deve rejeitar as tentativas da Uefa de influenciar o pleito eleitoral por meio de fundamentos que classificam como infundados.
Contexto da crise de governança
O episódio do projeto FFE provocou baixas significativas na estrutura administrativa da Fifa. O então diretor de operações, Kevin Lamour, e o conselheiro sênior Carlos Cordeiro deixaram seus cargos em protesto contra a condução do negócio, que foi considerado prejudicial à integridade da instituição.
Após a repercussão, Infantino pediu desculpas por falhas no processo e propôs uma auditoria externa independente. A Associated Press reportou que a Fifa mantém a posição de que o desmembramento da operação comercial tinha como objetivo acelerar o desenvolvimento do futebol global, superando as limitações da base europeia.
Fonte: uol.com.br

































