O governo do Irã apresentou uma proposta formal para a reabertura do Estreito de Ormuz, um dos pontos de maior importância estratégica para o fluxo global de petróleo. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, a liberação da passagem ocorreria em um prazo de sete dias, desde que uma série de condições específicas para o encerramento dos conflitos no Oriente Médio seja atendida por Washington.
Exigências de Teerã e o papel da mediação
A proposta foi comunicada diretamente ao enviado americano Steve Witkoff, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Entre as sete condições impostas pelo Irã, destacam-se a cessação imediata de todas as hostilidades na região, incluindo o Líbano e o Iêmen, o desbloqueio de ativos iranianos congelados — estimados em pelo menos US$ 12 bilhões — e o levantamento das sanções impostas à exportação de petróleo iraniano.
O governo iraniano também exige o fim do bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos. O ministro Abbas Araghchi afirmou que o país aguarda uma resposta oficial da administração de Donald Trump. Além disso, o Irã alega contar com o apoio diplomático da China para a viabilização deste roteiro de paz.
Impacto nos mercados e instabilidade regional
A sinalização de uma possível normalização no tráfego marítimo gerou reflexos imediatos nos mercados financeiros. Após um período de alta volatilidade, os preços do petróleo registraram queda nesta sexta-feira. O barril de Brent, referência internacional, recuou 1,31%, sendo cotado a US$ 105,20, enquanto o WTI apresentou baixa de 1,93%, alcançando US$ 92,78.
A tensão na região tem sido alimentada por interpretações divergentes de um acordo protocolar assinado em junho pelo presidente Donald Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Desde então, o Estreito de Ormuz tornou-se palco de ataques a embarcações que não possuem autorização iraniana, enquanto as forças americanas respondem com bombardeios esporádicos à costa do país.
Esforços diplomáticos e o futuro do diálogo
O Catar tem desempenhado um papel central como mediador entre as partes. O ministro das Relações Exteriores do Catar, al-Thani, manteve diálogos com Masoud Pezeshkian visando reduzir a escalada militar e criar um ambiente propício para negociações mais amplas. O objetivo final, além da reabertura do estreito, é retomar as discussões sobre o programa nuclear iraniano.
A situação permanece delicada, com o Irã mantendo a exigência de soberania sobre o trânsito marítimo na área. A comunidade internacional observa com cautela se as condições apresentadas por Teerã serão aceitas pelos Estados Unidos, o que definiria o próximo capítulo do conflito na região, conforme reportado pelo The New York Times.
Fonte: terra.com.br


































