A anulação de um gol de Carlos Vinicius, do Grêmio, em partida contra o Botafogo, reacendeu o debate sobre a clareza da tecnologia do impedimento semiautomático no futebol brasileiro. O lance, que resultou em uma decisão de impedimento por apenas um centímetro, gerou discussões intensas, especialmente após a exibição de diferentes formatos visuais da ferramenta de arbitragem.
Em resposta à controvérsia, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que entrará em contato com a empresa responsável pela tecnologia. O objetivo é solicitar uma padronização na exibição das imagens, priorizando um formato que minimize a confusão e reforce a confiança na precisão da ferramenta.
Exibição do impedimento: a controvérsia das linhas e o ‘paredão’ invisível
O programa “Seleção SporTV” trouxe à tona uma nova imagem do gol anulado, que não havia sido transmitida anteriormente. Esta imagem, caracterizada por um sombreamento branco que demarca a linha do impedimento, é conhecida como o formato “do paredão” e é similar ao utilizado na Premier League e em edições da Copa do Mundo. Ela visa mostrar qual parte do atleta está à frente da linha de impedimento de forma mais intuitiva.
No entanto, a transmissão original do jogo no Estádio Nilton Santos exibiu um formato diferente, com linhas azuis e vermelhas e uma espécie de “alvo” marcando cada jogador. Segundo o apresentador André Rizek, a CBF entende que este último formato não contribui para a compreensão do público e pode gerar mais dúvidas do que esclarecimentos. A entidade considera que a imagem do “paredão” é a que melhor explica a decisão, como no caso do impedimento de 1cm de Carlos Vinicius em relação a Arthur Chaves.
Precisão milimétrica: o desafio de um centímetro no futebol
A decisão de impedimento por um centímetro levanta questionamentos sobre a percepção humana e a aceitação pública de lances tão ajustados. André Rizek enfatizou a dificuldade de um árbitro de campo identificar um impedimento com essa margem, ressaltando que tal precisão só é possível com o auxílio da tecnologia.
A discussão se estende à possibilidade de “engrossar” as linhas de impedimento, uma medida que poderia tornar lances extremamente apertados válidos, alinhando-se à ideia original da regra de não permitir vantagem posicional. Contudo, Rizek pondera que, mesmo com linhas mais espessas, a discussão sobre impedimentos milimétricos persistiria, apenas deslocando o ponto de controvérsia para a nova margem.
Funcionamento da tecnologia semiautomática e a busca por confiança
A tecnologia de impedimento semiautomático opera com alta precisão, utilizando entre 28 e 32 câmeras espalhadas pelo estádio. O sistema congela a imagem no momento exato do toque na bola e calcula automaticamente a posição dos jogadores em relação à linha do penúltimo defensor, que é traçada na altura da axila ou da manga do jogador.
Diferente da traçagem manual de linhas, onde a intervenção humana pode influenciar o momento do toque na bola e o posicionamento da linha, o sistema semiautomático é totalmente automatizado. A CBF defende a confiança nessa ferramenta, argumentando que, apesar da dificuldade em apresentar ao público a exatidão de um impedimento de 1cm, a precisão da máquina é superior à avaliação do olho humano, minimizando erros e garantindo maior justiça nas decisões.
A busca por uma exibição mais clara e compreensível da tecnologia visa fortalecer a credibilidade do VAR e do impedimento semiautomático, garantindo que as decisões, por mais milimétricas que sejam, sejam aceitas com maior transparência pelo público e pelos clubes.
Fonte: fogaonet.com
































