Representantes do chavismo e da Assembleia Nacional de 2015 reuniram-se nesta quinta-feira (17), em Caracas, para uma nova rodada de negociações focada na transição política da Venezuela. O encontro, que conta com apoio dos Estados Unidos, busca debater garantias civis e a estabilidade institucional do país em um momento de profundas divisões internas.
Desdobramentos da detenção e liberação de liderança opositora
O clima das negociações foi marcado pela instabilidade após a prisão do ex-prefeito de Carora, Javier Oropeza, no Estado Lara. A delegação da oposição, liderada por Dinorah Figuera, denunciou imediatamente o caso e exigiu a soltura do dirigente, condicionando a continuidade das conversas ao cumprimento de garantias políticas. Horas após a pressão exercida na mesa de diálogo, Oropeza foi liberado pelas autoridades.
Avanços na liberdade de expressão e desbloqueio de sites
Um dos pontos centrais da agenda foi a determinação da Conatel para o levantamento de bloqueios contra veículos de comunicação. A medida atende a uma demanda antiga de ativistas e jornalistas que, por anos, enfrentaram censura digital e precisaram recorrer a VPNs para acessar portais de notícias. O site Tal Cual, bloqueado desde julho de 2024, é um dos veículos que aguarda a normalização plena de suas operações.
Apesar do anúncio, organizações como a VE Sin Filtro mantêm cautela. A entidade ainda registra 188 sites bloqueados no país, incluindo 79 veículos de informação. O diretor do Tal Cual, Víctor Amaya, ressaltou que a recuperação do tráfego e a confiança dos anunciantes são desafios de longo prazo, comparando a incerteza do processo à liberação parcial de presos políticos.
Agenda de reformas e cooperação internacional
Além das garantias civis, as partes buscam avançar na renovação do Tribunal Supremo de Justiça. A Assembleia Nacional aprovou recentemente uma reforma que amplia a participação da sociedade civil no comitê de seleção de magistrados, um passo acordado na primeira rodada de negociações em 12 de agosto. Paralelamente, o governo busca destravar a liberação de reservas de ouro venezuelano custodiadas pelo Banco da Inglaterra, avaliadas em mais de US$ 4 bilhões.
Em um gesto diplomático significativo, a vice-presidente Delcy Rodríguez recebeu representantes da Human Rights Watch (HRW), marcando o retorno da organização ao país após 18 anos. O encontro, que contou com a presença de Federico Borello, reforçou a intenção do governo em adotar medidas voltadas à pluralidade de expressão, em um contexto onde a administração atual também promulgou leis de anistia e ordenou o fechamento da prisão El Helicoide, conforme reportado pela RFI.
Fonte: terra.com.br
































