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Copom inicia reunião decisiva com expectativa de novo corte na Selic para 13,75%

Copom inicia reunião decisiva com expectativa de novo corte na Selic para 13,75%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira, 14, uma das reuniões mais aguardadas pelo mercado financeiro nacional. O encontro de dois dias tem como objetivo central definir o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, em um momento de transição para a economia brasileira, equilibrando o controle inflacionário e a necessidade de estímulo à atividade produtiva.

A expectativa predominante entre os agentes financeiros é de que a autoridade monetária anuncie, na tarde de quarta-feira, uma redução de 0,25 ponto percentual. De acordo com levantamento do Projeções Broadcast, 75 das 78 instituições consultadas apostam que a taxa recuará para 13,75% ao ano, enquanto uma minoria projeta a manutenção do índice atual.

Decisão do Copom deve confirmar tendência de queda nos juros

A aposta em um novo corte é sustentada por um alívio nos índices de inflação de curto prazo e por sinais claros de que a economia brasileira está perdendo fôlego. Analistas observam que a estratégia do Banco Central tem sido cautelosa, buscando ajustar a política monetária sem comprometer as metas estabelecidas para os próximos anos.

Para o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, que registrou queda no consumo das famílias, oferece o conforto necessário para a continuidade da redução. Ele destaca que os dados de julho para os setores de indústria e serviços também vieram mais fracos, reforçando o diagnóstico de desaceleração.

Atividade econômica enfraquecida e inflação dão suporte ao corte

A perda de dinamismo da economia parece estar se tornando mais disseminada entre os setores. Segundo Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, essa evidência permite que o colegiado siga com ajustes graduais. Ele aponta que segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico estão perdendo fôlego, o que valida a estratégia de cortes pequenos e consecutivos.

Além da atividade interna, o cenário fiscal também entra na conta dos especialistas. Margato observa que o estímulo fiscal não tem sido suficiente para impulsionar a demanda de forma satisfatória, especialmente diante do elevado nível de endividamento das famílias e das empresas brasileiras, o que limita o poder de consumo e investimento.

Incertezas eleitorais e fatores climáticos desafiam autoridade monetária

Apesar do ambiente favorável ao corte imediato, o horizonte de médio prazo é cercado de variáveis complexas. A proximidade da eleição presidencial é um dos principais fatores de incerteza, pois o mercado aguarda definições sobre as futuras regras da política econômica. Esse cenário tende a manter o Banco Central em uma postura conservadora em suas comunicações oficiais.

No plano externo, o preço do petróleo, que se mantém resistente na casa dos US$ 100 devido às tensões no Oriente Médio, e a volatilidade do câmbio são monitorados de perto. Há também o risco climático representado pelo fenômeno El Niño, previsto para o fim do ano, que pode gerar pressões inflacionárias indiretas sobre os preços de alimentos e energia.

Divergências sobre o ritmo de ajustes até o fim do ano

Embora o corte de setembro seja visto como quase certo, o mercado se divide sobre os próximos passos do Banco Central. A mediana das projeções indica que a Selic deve encerrar o ano em 13,75%, sugerindo que este poderia ser o último ajuste de 2026. No entanto, alguns economistas enxergam espaço para mais.

Flavio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, acredita que a desaceleração econômica pode abrir caminho para uma nova redução em novembro, levando a taxa para 13,5%. O grande desafio, segundo ele, será a reunião de dezembro, quando os efeitos do choque climático do El Niño e a persistência de possíveis pressões inflacionárias para 2027 estarão mais claros para o comitê.

Fonte: terra.com.br

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