Mensagens interceptadas pela Polícia Federal expõem uma articulação complexa entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Os diálogos, que vieram a público após o levantamento do sigilo pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), detalham tratativas para viabilizar operações financeiras sob suspeita de fraude bilionária e pagamento de propina.
Articulação para contornar exigências regulatórias
A investigação aponta que a fraude, estimada em cerca de R$ 17 bilhões, envolvia a aquisição de créditos podres pelo BRB e o interesse na compra do próprio Banco Master. Em conversas trocadas, os envolvidos discutiam formas de contornar a necessidade de explicações técnicas sobre as operações. Em um dos trechos, Paulo Henrique Costa sugere manter taxas específicas para evitar questionamentos internos, ao que Daniel Vorcaro responde prontamente que daria um “jeito”.
Compensações e promessas de lucros futuros
O relatório da Polícia Federal destaca que os prejuízos decorrentes de ajustes nas taxas para viabilizar a compra de ativos seriam, supostamente, compensados em transações futuras. A troca de mensagens revela um alinhamento que ia além das relações institucionais entre os bancos. Vorcaro chegou a afirmar que ambos estavam “juntos para a vida”, evidenciando o que os investigadores classificam como uma associação organizada para favorecer interesses privados.
Pressão para concretização de negócios sem documentação
Mesmo diante de alertas sobre a falta de documentação adequada, as tratativas continuaram. Em março de 2025, Vorcaro instou Paulo Henrique a “partir pro gol”, sugerindo que a regularização documental deveria ser feita apenas após a conclusão do negócio. A PF interpreta esse comportamento como uma tentativa deliberada de persuadir o então presidente do BRB a realizar operações financeiras à revelia de requisitos legais e de compliance.
Desdobramentos da investigação no STF
O caso, que tramita no STF, aponta que Paulo Henrique Costa teria recebido cerca de R$ 146 milhões em imóveis como contrapartida. Atualmente, ambos os executivos encontram-se presos enquanto o processo segue sob análise da Corte. A defesa de Daniel Vorcaro declarou que não irá se manifestar sobre as acusações, enquanto o contato com os representantes legais de Paulo Henrique Costa permanece em aberto. Mais informações podem ser consultadas no portal Supremo Tribunal Federal.
Fonte: terra.com.br


































