O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) intensificou as investigações sobre possíveis irregularidades na operação do Maracanã. O Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest) apura denúncias de superlotação e venda de ingressos acima da capacidade permitida em partidas de Flamengo e Fluminense, utilizando como base planilhas e laudos técnicos acumulados desde o ano passado.
Análise técnica e disparidades na capacidade
A investigação teve início após promotores constatarem, em visitas presenciais, que o volume de torcedores excedia os limites estabelecidos pelos laudos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. O estádio, que possui capacidade limitada a pouco mais de 73 mil pagantes, apresentou registros de ocupação que levantaram questionamentos sobre a eficácia dos sistemas de controle de acesso.
Um ponto central da apuração é a ausência de bloqueios automáticos nas catracas quando a carga máxima de um setor é atingida. Embora a medida seja vista por alguns como uma forma de evitar tumultos em áreas de grande fluxo, o MP entende que a prática compromete a segurança dos espectadores, especialmente nos setores norte e nas cadeiras cativas.
Obstáculos na apuração e acesso a dados
A relação entre o consórcio Fla-Flu Serviços e as autoridades tornou-se tensa após a formalização do inquérito em 31 de outubro. Relatos indicam que o acesso a dados cruciais, como o monitoramento em tempo real da entrada de público e planilhas detalhadas, foi restringido após a mudança na gestão executiva do consórcio, que agora conta com Fred Nantes como CEO.
O MP-RJ busca agora consolidar as provas para definir os próximos passos. Enquanto a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) afirmou que prestará os esclarecimentos necessários dentro do prazo legal, o Fluminense negou veementemente a comercialização de bilhetes acima da carga permitida. O Flamengo, por sua vez, não se manifestou sobre as acusações.
Perspectivas de um acordo administrativo
Diante das implicações severas previstas na Lei Geral do Esporte, que pode resultar na proibição de clubes atuarem em seus estádios por até seis meses, o Ministério Público avalia a viabilidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O objetivo é evitar a judicialização do processo e minimizar prejuízos esportivos e financeiros para as agremiações envolvidas.
O consórcio Fla-Flu Serviços minimizou as preocupações, classificando a investigação como uma questão de natureza midiática. Fred Nantes reforçou que a empresa mantém colaboração com o órgão e fornecerá todas as informações solicitadas pelos canais oficiais, mantendo o posicionamento de que as operações seguem os protocolos de segurança vigentes. Mais detalhes sobre o caso podem ser acompanhados através da cobertura do jornal O Globo.
Fonte: netvasco.com.br
































