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Especialistas do COB analisam como a pandemia transformou a saúde mental no esporte

Especialistas do COB analisam como a pandemia transformou a saúde mental no esporte

A atenção à saúde mental no esporte de alto rendimento passou por uma transformação profunda nos últimos anos, impulsionada pelos desafios impostos pela pandemia de covid-19. Durante o evento Esporte Cria 2026, a psicóloga Carla di Pierro e a médica Ana Carolina Côrte, ambas do Comitê Olímpico do Brasil (COB), destacaram como o cenário global expôs a vulnerabilidade dos atletas e acelerou a implementação de protocolos de suporte psicológico.

De acordo com as especialistas, o ambiente competitivo naturalmente gera estresse, mas o isolamento e a incerteza do período pandêmico ampliaram as pressões sobre os competidores. O foco atual das instituições esportivas não se limita apenas ao tratamento de crises, mas expande-se para uma abordagem preventiva que integra o bem-estar emocional como parte fundamental da performance técnica.

Diferença entre estresse competitivo e quadros de sofrimento clínico

Um dos pontos centrais discutidos por Carla di Pierro é a necessidade de distinguir o estresse inerente às competições de quadros clínicos que exigem intervenção especializada. Segundo a psicóloga, a gravidade de uma situação é identificada quando os sintomas de ansiedade ou depressão tornam-se intensos e frequentes, limitando a capacidade funcional do indivíduo.

Para realizar esse diagnóstico, o COB utiliza ferramentas como questionários validados e análise clínica detalhada. O objetivo é identificar quando o sofrimento ultrapassa a barreira do desafio esportivo e passa a debilitar o atleta, impedindo-o de realizar tarefas que antes eram executadas com naturalidade. A intervenção precoce é vista como essencial para evitar o colapso emocional.

Pressão digital e o novo cenário de vulnerabilidade dos atletas

A rotina dos atletas modernos difere drasticamente das décadas de 80 e 90 devido à onipresença da tecnologia. Carla di Pierro ressalta que as cobranças agora ultrapassam o horário de treino e chegam diretamente aos dispositivos móveis. Ataques de haters e a pressão constante das redes sociais criam um ambiente de exposição contínua que aumenta a fragilidade emocional.

Nesse contexto, a prevenção torna-se o pilar principal das equipes de saúde mental. O trabalho envolve preparar o atleta para lidar com a mídia e as críticas digitais, oferecendo ferramentas para que ele consiga sustentar seu desempenho sob os olhares do público. O suporte contínuo visa garantir que o competidor tenha recursos internos para enfrentar o ambiente externo hostil sem interromper sua carreira.

Pausas estratégicas e a desconstrução do mito do super-herói

Casos recentes de atletas de elite que optaram por pausas na carreira para cuidar da mente ajudaram a reduzir o estigma sobre o tema. A ginasta Simone Biles, a tenista Bia Haddad Maia e a jogadora de vôlei de praia Duda são exemplos de profissionais que priorizaram o bem-estar emocional em momentos críticos. Essas decisões reforçam a ideia de que o atleta é um ser humano vulnerável, e não um super-herói infalível.

A psicóloga do COB compara a necessidade de cuidados psicológicos a lesões físicas graves, como o rompimento de um ligamento cruzado anterior (LCA). Assim como um joelho operado exige tempo de reabilitação, a mente também precisa de períodos de recuperação. Essas pausas permitem que o atleta retorne às competições com novos projetos, perspectivas renovadas e um repertório emocional mais robusto.

Integração multidisciplinar como pilar de sustentação no COB

A médica Ana Carolina Côrte reforça que a saúde deve ser compreendida de forma integral, seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que englobam o bem-estar físico, mental e social. No Comitê Olímpico do Brasil, as áreas de medicina esportiva, fisioterapia, psicologia e psiquiatria trabalham de forma conectada para oferecer um suporte completo.

A estrutura de atendimento do COB evoluiu para incluir profissionais que conseguem identificar e tratar demandas clínicas enquanto preparam o atleta para a performance. Essa visão sistêmica garante que o cuidado não seja fragmentado. Além disso, a formação de profissionais de bastidores com alta capacidade de empatia é apontada como um caminho para fortalecer a confiança e a entrega necessária no cotidiano do esporte de alto nível.

Fonte: uol.com.br

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