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Prisão de chefe do tráfico em imóvel de jogador do Vasco revela elos com crime organizado

A Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou uma investigação complexa que expôs conexões entre o crime organizado e o futebol profissional. Em agosto de 2024, Édson Vander da Silva Júnior, apontado como líder do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3, na Serra, foi detido em um apartamento de luxo em Vila Velha. O imóvel pertence ao atacante David Corrêa, jogador do Vasco da Gama, que também atuava como cliente do suspeito.

O caso ganhou contornos graves após a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação. As autoridades identificaram que Édson, além de gerir a carreira e as finanças do atleta, exercia o comando de atividades ilícitas na Grande Vitória. A descoberta resultou na Operação A Tropa, que mobilizou cerca de 120 agentes em diversos estados para cumprir mandados judiciais relacionados a uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024.

Execução, sequestro e a sobrevivência da vítima

A investigação teve início após um atentado violento registrado em 15 de março de 2024, no bairro Novo Porto Canoa. A vítima, um jovem que mantinha proximidade com o grupo, foi sequestrada sob a suspeita de repassar informações a uma facção rival. O plano, articulado por Édson e executado com o auxílio de Ruan de Freitas Camargo Cruz, culminou em uma emboscada em um veículo clonado.

Durante a fuga, a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo. Mesmo após ser alvejado nas costas por um dos atiradores que pretendia confirmar o óbito, o jovem sobreviveu ao se fingir de morto. A colaboração da vítima com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi determinante para que os investigadores mapeassem a estrutura criminosa e identificassem os responsáveis pelo crime.

Diálogos revelam possível financiamento do tráfico

A perícia autorizada pela Justiça no celular de Édson Júnior revelou interações diretas entre o empresário e o jogador David Corrêa. As mensagens indicam que o atleta tinha ciência das atividades violentas do grupo e, segundo a polícia, há indícios de suporte financeiro à quadrilha. Em um dos diálogos, o jogador comentou sobre o estado de saúde da vítima do atentado, afirmando que ela merecia ter sido baleada.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a troca de mensagens sobre armamento. Édson enviou a foto de uma pistola de grosso calibre ao jogador, que respondeu incentivando o uso do equipamento. Além disso, registros apontam solicitações de dinheiro em espécie para a substituição de um veículo utilizado na tentativa de homicídio, reforçando a tese de que o atacante estaria provendo recursos para a logística do tráfico local.

Desdobramentos da Operação A Tropa

A prisão de Édson e de Ruan de Freitas Camargo Cruz, ocorrida em 20 de agosto de 2024, marcou o ápice da apuração policial. A dupla havia assumido o controle do tráfico na região após a morte do antigo líder, conhecido como Leleto. Eles centralizavam a compra de entorpecentes, a gestão de armamentos e a movimentação financeira do grupo criminoso.

A Operação A Tropa, deflagrada na segunda-feira (31), estendeu as diligências para o Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. Com o compartilhamento do inquérito e o sigilo das investigações, as autoridades buscam agora aprofundar os detalhes sobre a extensão do envolvimento de terceiros e a origem dos recursos destinados ao financiamento da organização criminosa.

Fonte: netvasco.com.br

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