Home / ESPORTES / Relatório da Comissão de Ética do São Paulo aponta para expulsão e ressarcimento de ex-presidente

Relatório da Comissão de Ética do São Paulo aponta para expulsão e ressarcimento de ex-presidente

A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube concluiu um relatório que recomenda, por unanimidade, a eliminação de seu ex-presidente do quadro associativo. O documento, que ainda será submetido à votação do Conselho Deliberativo, sugere também que o ex-dirigente restitua os valores que teriam sido comprovadamente utilizados para fins particulares, marcando um momento de intensa discussão sobre a governança e a integridade financeira do clube.

As acusações que fundamentam as recomendações da Comissão de Ética remontam ao período em que o ex-presidente esteve à frente da gestão, entre 2021 e janeiro de 2026. Ele havia deixado o cargo por renúncia, após seu impeachment ter sido aprovado pelo Conselho Deliberativo, processo que dispensou a necessidade de uma assembleia de sócios. A base para a acusação de gestão temerária encontra-se no artigo 34 do estatuto social do clube, que trata das responsabilidades dos administradores.

A Recomendação de Expulsão e Ressarcimento: Detalhes da Análise Ética

A decisão da Comissão de Ética, composta por Luiz Augusto Lia Braga, Mario Celso da Silva Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fábio Cesar de Souza Azambuja, é um passo significativo no processo de apuração de condutas. A recomendação de expulsão do quadro associativo, se aprovada pelo Conselho Deliberativo, representa a sanção mais severa que um membro pode sofrer dentro da estrutura do clube.

Paralelamente, a sugestão de ressarcimento financeiro visa recuperar valores que, segundo o relatório, foram desviados para uso pessoal. O montante exato a ser restituído será determinado pelo departamento financeiro do São Paulo e validado pelo Conselho Fiscal. A Comissão de Ética considerou um valor de R$ 7 milhões em saques realizados pelo ex-presidente, uma quantia que também é objeto de investigação por uma Força-Tarefa composta pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O ex-presidente, por sua vez, defende que tais valores foram empregados em despesas relacionadas ao futebol, como premiações a atletas.

O Cartão Corporativo e as Despesas Pessoais Sob Escrutínio

Outro ponto central da análise da Comissão de Ética é o uso do cartão corporativo, ferramenta à qual o ex-presidente tinha acesso em função de seu cargo. O relatório aponta que cerca de R$ 1 milhão foi gasto por meio deste cartão, mas apenas pouco mais da metade desse valor foi efetivamente reembolsado ao clube. Este aspecto da acusação baseia-se no artigo 11 do estatuto social, que aborda situações de “dano ou prejuízo material” à instituição.

As alegações finais do relatório detalham uma série de gastos considerados de natureza pessoal, incluindo despesas em estabelecimentos de vestuário e artigos de luxo, restaurantes, charutarias, salões de beleza, além de custos com despesas médicas e medicamentos pessoais, e compras em petshops. Essas informações reforçam a tese de uso indevido de recursos destinados ao clube para fins particulares.

A Controvérsia em Torno da Defesa e os Precedentes no Clube

Durante o desenrolar do processo, o ex-presidente solicitou seu desligamento do quadro associativo em protesto, um pedido que não foi acatado no relatório final da Comissão. Ele também renunciou ao seu cargo no Conselho Deliberativo. A defesa do ex-presidente alega que ele foi alvo de um “processo de exceção” e teve seu direito de defesa “cerceado”, argumentando que não conseguiu acesso a documentos essenciais para sua representação.

No entanto, o relatório final da Comissão de Ética refuta essa alegação, afirmando que “os autos registram o fornecimento de grande quantidade de material, entre o qual documentos financeiros, relatórios de auditoria, respostas de Compliance, protocolos de jogos e shows, política de utilização de cartão corporativo e faturas referentes a diversos exercícios”. O documento ainda destaca que a própria defesa reconheceu, posteriormente, ter recebido a documentação requisitada, passando a formular novos pedidos. Para mais informações sobre governança em clubes esportivos, consulte a Confederação Brasileira de Futebol.

Este caso não é isolado no contexto recente do clube. Nos últimos meses, outros três membros – Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Marcio Carlomagno – foram expulsos após recomendações da Comissão de Ética. Todos os três também estão sob investigação da Força-Tarefa por suposto uso irregular de camarotes no MorumBis, evidenciando um esforço contínuo do clube em fortalecer suas práticas de governança e ética.

Fonte: uol.com.br

Marcado:

SIGA PARA MAIS NOTÍCIAS

SIGA PARA MAIS NOTÍCIAS

@PODCASTGARAGEM

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

REDES SOCIAIS

ÚLTIMOS POSTS