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Unanimidade na comissão de ética do São Paulo pede a expulsão de Julio Casares por gestão temerária

Unanimidade na comissão de ética do São Paulo pede a expulsão de Julio Casares por gestão temerária

A Comissão de Ética e Disciplina do São Paulo formalizou, nesta segunda-feira, a recomendação pela expulsão de Julio Casares do quadro associativo do clube. A decisão, tomada por unanimidade pelos cinco membros do órgão, foi encaminhada ao Conselho Deliberativo para análise final, marcando um novo capítulo na crise institucional que envolve a gestão do ex-presidente.

O parecer fundamenta-se em apurações internas que apontam para uma possível gestão temerária e irregularidades financeiras ocorridas entre 2021 e 2026. O ex-dirigente, que renunciou ao cargo máximo do clube em janeiro deste ano, também é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apuram denúncias de lavagem de dinheiro e exploração clandestina de camarotes no estádio Morumbis.

Fundamentação estatutária e o processo disciplinar

A Comissão de Ética enquadrou Julio Casares no parágrafo 8 do Artigo 34 do Estatuto Social do clube. O dispositivo estabelece a eliminação do quadro associativo para membros que sejam responsabilizados por atos de gestão irregular ou temerária, conforme as diretrizes da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015.

Embora tenha sido convocado para uma audiência no dia 31 de julho, o ex-presidente optou por não comparecer, dando prosseguimento ao rito processual à revelia. Além da exclusão, o órgão recomendou o ressarcimento aos cofres do clube de valores supostamente gastos em despesas particulares via cartão corporativo, montante que, segundo reportagem do ge, teria atingido a marca de R$ 1 milhão.

Impedimento de renúncia e continuidade das apurações

Mesmo após a renúncia de Julio Casares ao cargo de conselheiro e à condição de sócio em julho, a Comissão de Ética manteve o andamento do procedimento. A decisão baseou-se no Artigo 38 do estatuto, que veda a aceitação de pedidos de demissão do quadro associativo enquanto o membro for objeto de procedimento administrativo disciplinar.

Dessa forma, a tentativa de desligamento voluntário não interrompeu a tramitação do processo. O parecer agora aguarda pauta no plenário do Conselho Deliberativo, onde os conselheiros decidirão se acatam ou não a recomendação de expulsão, visto que o documento possui caráter opinativo e não vinculante.

Contexto das investigações e desdobramentos

As apurações sobre a gestão ganharam força em dezembro de 2025, após denúncias sobre um esquema ilegal de venda de ingressos em camarotes. O caso resultou na expulsão de outros dirigentes, como Mara Casares e Douglas Schwartzmann, pelo Conselho Deliberativo. Paralelamente, o Coaf identificou movimentações atípicas nas contas de Julio Casares, incluindo o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em espécie entre 2023 e 2025.

O cenário de instabilidade é agravado por inquéritos que investigam o desvio de R$ 11 milhões por meio de saques em contas do clube e possíveis irregularidades na venda de atletas. A Polícia Civil também apura a abertura de 15 empresas por parte de um ex-diretor adjunto de futebol, buscando estabelecer conexões com o fluxo financeiro do Tricolor durante o período investigado.

Fonte: gazetaesportiva.com

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