O mercado financeiro iniciou a segunda-feira com cautela, refletindo a pressão sobre as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). O movimento de alta na curva de juros é impulsionado por um ambiente de incerteza externa, marcado pela expectativa de novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, e pelo clima de volatilidade política no Brasil.
Às 10h37, a taxa do DI para janeiro de 2028 situava-se em 13,895%, superando o ajuste de 13,857% registrado na sessão anterior. Na ponta longa, o contrato para janeiro de 2035 avançava para 14,535%, frente aos 14,519% do fechamento prévio, sinalizando a cautela dos investidores diante de riscos geopolíticos e fiscais.
Impacto das sanções dos EUA e tensões geopolíticas
A atenção do mercado está voltada para o anúncio do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, previsto para as 14h desta segunda-feira. A expectativa é que o governo do presidente Donald Trump detalhe medidas para ampliar o escopo das sanções secundárias contra entidades e nações que mantêm laços comerciais com o Irã.
Essa estratégia visa elevar a pressão econômica sobre Teerã, gerando reflexos diretos na percepção de risco global. A possibilidade de um endurecimento nas relações comerciais internacionais costuma elevar a aversão ao risco, o que se traduz em prêmios maiores na curva de juros de países emergentes, como o Brasil.
Cenário eleitoral e disputa nas pesquisas
No âmbito doméstico, o mercado monitora de perto as movimentações políticas. Um levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira aponta um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, com 46% e 45% das intenções de voto, respectivamente, considerando uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
O dado reforça o clima de incerteza observado em pesquisas recentes. Na última sexta-feira, o levantamento Datafolha já indicava uma proximidade entre os dois nomes, com Lula registrando 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro. A polarização eleitoral continua sendo um fator de monitoramento constante para os agentes financeiros que buscam previsibilidade para o futuro da política econômica.
Projeções macroeconômicas e o boletim Focus
Além da geopolítica e da política interna, a curva de juros também reage aos indicadores macroeconômicos. A pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, trouxe ajustes importantes nas expectativas de crescimento e inflação. A estimativa para o PIB de 2026 recuou de 1,98% para 1,95%, enquanto a projeção para 2027 manteve-se em 1,50%.
No campo inflacionário, a expectativa para o IPCA deste ano permaneceu em 5,02%. Para 2028, a projeção inflacionária seguiu estável em 3,80%. Tais números são fundamentais para a precificação dos ativos de renda fixa, uma vez que a trajetória dos juros futuros depende diretamente da convergência da inflação para as metas estabelecidas.
Fonte: terra.com.br

































